Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
A Fenprof inicia segunda-feira uma «Semana de Luto e Luta dos Professores», contra cortes orçamentais, docentes em mobilidade especial, mega-agrupamentos escolares e outros temas que exigem discutir com o ministro Nuno Crato, num reunião ainda por agendar.
A Fenprof inicia segunda-feira uma «Semana de Luto e Luta dos Professores», contra cortes orçamentais, docentes em mobilidade especial, mega-agrupamentos escolares e outros temas que exigem discutir com o ministro Nuno Crato, num reunião ainda por agendar.
São fatores «com consequências, cada vez mais difíceis, para as condições e a capacidade que a escola vai tendo para se organizar» e «para poder continuar a dar respostas fundamentais aos alunos que a frequentam», como declarou à Lusa o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, que sublinhou que continua à espera da marcação de uma reunião com o ministro da Educação, na qual seja possível discutir estes e outros temas.
Depois de não ter obtido resposta a um pedido de reunião com o ministro Nuno Crato, a Fenprof direcionou esse pedido para o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que respondeu na quinta-feira, remetendo novamente o pedido para o Ministério da Educação, estando a Fenprof a aguardar agora uma nova resposta.
Ao longo da próxima semana, a Fenprof vai estar visível em ações de luta em todo o país, estando presente nas escolas, afixando faixas e cartazes, promovendo debates, fazendo denúncias, apresentando propostas, distribuindo textos informativos a pais e encarregados de educação, à porta dos estabelecimentos de ensino, e fazendo aprovar moções, entre os professores, que depois serão enviadas ao Ministério da Educação.
Mário Nogueira referiu à Lusa várias preocupações que afetam os docentes neste momento, para as quais querem alertar toda a sociedade, dando destaque aos cortes orçamentais – não só aos que se concretizaram ao longo dos últimos anos, em sede de Orçamento do Estado, mas também aos já anunciados, no âmbito do corte de quatro mil milhões de euros nas funções sociais do Estado, enquadrado pelo programa de ajustamento acordado com a 'troika'.
«Ouvimos agora dizer que o Governo estaria a pensar em pedir à 'troika' um adiamento de um ano para o corte de quatro mil milhões de euros, mas também todos percebemos, ao ouvir isso, que o Governo não pretende dizer à 'troika' que não quer fazer esse corte. O problema aqui é mais prolongar a agonia e não tanto evitar a morte de um sistema que já hoje está extremamente fragilizado», criticou Mário Nogueira.
Para o sindicalista, porém, os problemas estão longe de se esgotar nos cortes orçamentais. Há também o «empobrecimento dos currículos escolares», os «mega, cada vez maiores, agrupamentos», as «linhas de privatização», com a transferência das escolas para a alçada dos municípios, também eles em dificuldade financeira, e a inclusão de docentes no regime de mobilidade especial, «uma antecâmara do desemprego».
«É preciso parar, é preciso dizer que basta. Na sequência da última grande manifestação de professores, finalmente o ministro veio falar, num primeiro momento, para dizer que não ia haver despedimentos e, num segundo momento, para dizer que não ia aumentar o horário de trabalho para as 40 horas. Isso significa que a ação, a luta dos professores pressiona e leva a que o Governo tenha também de repensar algumas das medidas. É o momento oportuno e adequado para que os professores continuem a dar visibilidade ao seu protesto», concluiu Mário Nogueira.
A Fenprof inicia a semana de luta com a afixação de «uma faixa de luto» nas instalações do Ministério da Educação e Ciência, no Palácio das Laranjeiras, em Lisboa, pelas 11:00.
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