Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
O ex-ministro da Educação Marçal Grilo advertiu hoje que mesmo quando Portugal conseguir ter todos os jovens na escola, não pode descansar nesta matéria, comparando este ganho à democracia, pela qual tem de se “lutar todos os dias”.
O ex-ministro da Educação Marçal Grilo advertiu hoje que mesmo quando Portugal conseguir ter todos os jovens na escola, não pode descansar nesta matéria, comparando este ganho à democracia, pela qual tem de se “lutar todos os dias”.
Eduardo Marçal Grilo falava, em Lisboa, durante a abertura de uma conferência da EPIS – Empresários pela Inclusão Social, dedicada ao tema “Escolas de Futuro: Dar Esperança a Todos os Jovens”.
O ex-governante salientou que o progresso alcançado nos últimos anos é muito significativo, mas “ainda aquém” do que devia.
De acordo com os dados hoje apresentados, 11.500 crianças e jovens abandonaram a escola antes de concluírem o 9.º ano.
“E mesmo quando tivermos todos na escola, ou seja, taxas de abandono zero, isso não será irreversível. É um pouco como a democracia, é algo por que tem de se lutar todos os dias”, disse.
Marçal Grilo frisou que a luta pela inclusão social passa por ter todos na escola, mas também pela luta pelo emprego.
“As probabilidades de cair no desemprego diminuem com o aumento da escolaridade”, defendeu.
O ex-governante defendeu uma cultura de exigência para ultrapassar as dificuldades: “O país é muito pouco exigente, é pouco exigente com os seus dirigentes, os professores são pouco exigentes com os alunos, os estudantes e as famílias são pouco exigentes com a escola e, sobretudo, cada um de nós é pouco exigente consigo próprio”.
O presidente da EPIS, António Pires de Lima, afirmou que existe um hoje um novo fator de exclusão social “de peso crescente” na sociedade portuguesa: o desemprego.
A conferência serviu para a apresentação, durante a manhã, do Atlas do abandono e do insucesso escolar em Portugal”, coordenado por David Justino, da Universidade Nova de Lisboa e ex-ministro da Educação.
Sublinhando os progressos alcançados nos últimos 20 anos, o especialista citou casos de “comunidades de heróis”, como Vila de Rei, que passou de uma taxa de abandono precoce de 78 por cento para 20 por cento.
“Tem travado uma luta incessante contra a desertificação e é, pelo menos aqui, premiado”, declarou.
Os municípios de Góis, Barrancos e Alcochete foram igualmente citados como exemplos de progresso.
A EPIS tem trabalhado desde 2007 em programas de combate ao insucesso e abandono escolar, tendo já acompanhado em todo o país mais de 10.000 alunos, segundo dados da organização.
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