Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
O ex-líder do PSD Marques Mendes acusou hoje o Governo de não ter querido fazer a reforma do Estado nesta legislatura e defendeu um acordo de substância, que não seja de "banalidades", entre PSD, CDS-PP e PS.
O ex-líder do PSD Marques Mendes acusou hoje o Governo de não ter querido fazer a reforma do Estado nesta legislatura e defendeu um acordo de substância, que não seja de "banalidades", entre PSD, CDS-PP e PS.
"As expectativas das pessoas estão muito elevadas, se não houver acordo nenhum vai ser um choque, correm todos o risco de ficar mal na fotografia, todos", afirmou Marques Mendes, incluindo o Presidente da República nesta avaliação.
O ex-líder do PSD falava aos jornalistas após um almoço/debate do International Club, num hotel de Lisboa, sobre o tema da reforma do Estado.
"Acho que convém pensarem nisto, mas tendo a preocupação de, ao mesmo tempo, não fazerem um ´acordozinho'", argumentou, sublinhando que "de acordos apenas na base de princípios, banalidades e generalidades está o país cheio"
Na sua intervenção, Marques Mendes defendeu que o corte quatro mil milhões de euros "não é uma reforma do Estado", mas uma "reforma da despesa do Estado" e acusou o Governo de nunca ter querido fazer esta reforma.
"O Governo nunca quis fazer esta reforma. A verdade dos factos é esta, o Governo achava que conseguia fazer toda esta legislatura sem tocar na reforma do Estado", considerou, acrescentando que estaria a adiá-la para uma segunda legislatura.
"O problema é que o tipo de austeridade que se seguiu, o tipo de caminho que se seguiu, começou a dar problemas. O Tribunal Constitucional resolveu acrescentar problemas aos problemas e, portanto, a dada altura, este corte na despesa tornou-se um estado de necessidade e aí já não há como ser possível de se fazerem as coisas como devem ser", sustentou.
Marques Mendes diz não compreender porque é que a reforma do Estado não se fez no início da legislatura e considera a questão central na crise política, dizendo que terá estado na base da demissão de Vítor Gaspar, da tentativa de demissão de Paulo Portas e estará no centro das conversações entre PSD, CDS-PP e PS.
"Se falhar, é por aqui", adiantou, referindo-se a um eventual compromisso entre aqueles partidos.
Segundo Marques Mendes, "a margem de manobra do Governo relativamente aos cortes na despesa é muito diminuta", porque a meta do défice é imposta pela ´troika'.
"Pode ser que nestas conversações, os três partidos se possam entender relativamente a uma atuação conjunta junto da ´troika'. Depois falta saber a seguir qual é a disponibilidade da ´troika'", considerou.
Para o ex-líder do PSD, "está tudo diagnosticado", os partidos "só precisam de um bocadinho de coragem e de vontade para se entenderem".
Na conferência, Marques Mendes disse que para fazer a reforma do Estado é "preciso um mínimo de vontade e de coragem", considerando que em Portugal há "políticos bem preparados, cultos, mas faltam políticos com coragem", estendendo a crítica ao seu próprio partido.
Marques Mendes não considera "indispensável" a convocação de uma reunião do Conselho de Estado para debater a atual crise política.
Sobre as movimentações à esquerda, com reuniões entre os diversos partidos - PCP, BE e "Os Verdes" e uma reunião do BE na terça-feira com o PS - Marques Mendes diz que se trata de um "exercício de hipocrisia política", de uma esquerda dividida, que "não tem a menor das hipóteses de se entender para governar, mas gosta de dar essa imagem de que é possível um Governo à esquerda".
Questionado se as reuniões entre PSD, CDS-PP e PS também poderiam merecer a qualificação de "exercício de hipocrisia política", Marques Mendes disse que a resposta a essa pergunta será respondida nos próximos dias, com o desfecho dos encontros para o "compromisso de salvação nacional" pedido pelo Presidente da República.
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