Por: Diario Digital Castelo Branco
Marco António Costa, vice-presidente e porta-voz do PSD, colou-se ao discurso mais agressivo do CDS e acusa o FMI de "hipocrisia" anuncia o diário Jornal i.
Marco António Costa, vice-presidente e porta-voz do PSD, colou-se ao discurso mais agressivo do CDS e acusa o FMI de "hipocrisia" anuncia o diário Jornal i.
Por partes. Até agora, altura em que o país está com várias tarefas ao mesmo tempo - campanha autárquica e preparação do Orçamento do Estado para 2014 - a postura do governo era a de não criticar publicamente a troika e pedir a flexibilização das metas nas reuniões das avaliações trimestrais. Aliás, habitualmente o executivo não falava dos assuntos da troika durante os exames.
O que mudou? Ontem, CDS, PSD e ministros criticaram a inflexibilidade dos parceiros internacionais, no dia em que os novos representantes reuniram com os partidos (ver ao lado). Aparentemente, só o primeiro-ministro se mantém fiel à estratégia antiga de não falar em flexibilização. Ontem, o seu vice-presidente no PSD, Marco António Costa, não poupou nas palavras, acusando o Fundo Monetário Internacional de "hipocrisia institucional".
A pressão não é num timing ingénuo: pelo lado do CDS, o partido acusa o peso de o seu líder ter criado uma crise política e ter em mãos a negociação com os parceiros - Paulo Portas é o principal responsável - e o partido tem de mostrar que reforçou a posição no governo para fazer passar algumas posições. Será por isso que foram os ministros centristas os mais activos no ataque à troika. Primeiro foi Portas a admitir na semana passada uma flexibilização do défice. Ontem, Mota Soares e Pires de Lima reforçaram a pressão.
O ministro da Economia comentava o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre as consequências das políticas impostas aos países sob resgate. No documento, o FMI admite que "em muitos países os desequilíbrios orçamentais são de tal magnitude que atacá-los no curto prazo exigiria um ajustamento numa escala que teria um impacto dramático na actividade económica e iria ter consequências devastadoras na provisão de serviços pelos governos". E Pires de Lima, que antes de ser ministro teve posições abertas sobre o resgate financeiro, aproveitou a deixa para dizer que "é importante" que aos discursos "corresponda uma coerência na execução prática".
A intenção de pressionar a missão técnica a acompanhar as palavras dos altos responsáveis - sobretudo do FMI - já não é nova. O ano passado, a reboque das palavras de Christine Lagarde, directora-geral do FMI, e de Olivier Blanchard, economista-chefe da mesma instituição, várias foram as vozes a defender que o défice não devia ser fixado em termos nominais. Mas até agora, pouco mudou nos técnicos.
Também Pedro Mota Soares, ministro da Solidariedade, emprego e Segurança Social, disse esperar que "estas recomendações [do relatório] se venham a concretizar em acções por parte dos parceiros". Aos dois ministros do CDS juntou-se Rui Machete. O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros lembrou que "ainda não se traduziram no terreno as considerações filosóficas veiculadas pelos organismos superiores do FMI" pelo que não espera alterações concretas no pacote de medidas.
"HIPOCRISIA DO FMI" Mas a tirada mais forte do dia até saiu do PSD. O partido está em campanha - e o seu porta-voz e vice-presidente é o rosto das autárquicas no PSD, substituindo Passos -, e poderá ser por isso que Marco António Costa se tornou no primeiro dirigente social-democrata a encostar-se ao discurso mais agressivo do CDS e a afastar-se do tom de Passos Coelho. Marco António veio ontem afirmar que "há uma hipocrisia institucional da parte do FMI", uma vez que os relatórios dizem uma coisa e depois o que "mostram é uma atitude muito pouco flexível".
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