Por: Diario Digital Castelo Branco
O especialista da UTAD considera, no entanto, que estas situações extremas «não podem ser atribuídas a alterações climáticas», pois isso não se pode concluir «apenas num ou dois Invernos». Este tipo de alterações, defende, «tem de ser sempre analisado num período longo: de duas ou três décadas, ou mais».
Os «dados e relatórios» do próprio IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas), explicou João Andrade Santos, investigador da Universidade de Trás-os-Montes (UTAD), mostram que a probabilidade de ocorrência destes eventos extremos, como as tempestades Hércules e Stephanie, «será maior no futuro devido ao aquecimento global, à acção humana e aos gases com efeito de estufa».
Filipe Duarte Santos, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, tem outra opinião, refere o i. Defende ser «muito provável» a relação destes fenómenos extremos com as alterações climáticas.
A posição é partilhada pelo Met Office, serviço meteorológico do Reino Unido, que «num comunicado recente não encontrou uma explicação alternativa» para estas situações.
Duarte Santos alertou para um tempo de retorno médio - frequência de repetição destes eventos - que, «no passado, era há volta dos 100 anos», e agora pode ser «de semanas».
Esta sucessão recente de tempestades, contudo, «não significa que isto venha a acontecer todos os Invernos», embora sublinhe que «estes eventos se vão repetir num espaço cada vez mais curto de tempo». Hoje são considerados extremos e no futuro passarão «a ser comuns e menos invulgares», concluiu João Andrade dos Santos.
Explicou que «estes ciclones extratropicais estão associados às correntes de jacto (de ar), argumentou, que circulam da América do Norte para a Europa e, «por norma, a latitudes mais elevadas do que têm estado este ano». Estas correntes trazem «ciclones» formados pelo «contraste entre massas de ar frio e quente».
Tudo «situações normais», assegura o investigador, mas que continuarão a afectar Portugal «enquanto essa corrente não se deslocar para norte» e voltar a afectar as Ilhas Britânicas, «como faz normalmente».
O fenómeno começou «por altura do Natal» e tem sido «uma constante nas últimas seis/sete semanas», prosseguiu Pedro Viterbo. Quando uma depressão supera os 24 hectopascal (medida de pressão) em 24 horas, os especialistas chamam-lhe «bomba».
O responsável pelo Departamento de Meteorologia e Geofísica do IPMA revelou que «desde Dezembro» o país já registou «mais de sete». Na tempestade Hércules (ocorrida entre 4 e 6 de Janeiro), aliás, houve «duas bombas em dois dias consecutivos».
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