Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
A economia dominou hoje totalmente o debate entre Sócrates e Louçã, com o líder do Bloco a denunciar “compromissos” do Governo junto do FMI e o secretário-geral socialista a criticar a defesa bloquista da renegociação da dívida externa.
A economia dominou hoje totalmente o debate entre Sócrates e Louçã, com o líder do Bloco a denunciar “compromissos” do Governo junto do FMI e o secretário-geral socialista a criticar a defesa bloquista da renegociação da dívida externa.
Ao longo de 45 minutos de debate, na SIC, não houve praticamente momentos de convergências entre o coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, e o secretário-geral do PS, José Sócrates.
Ao contrário de há dois anos, quando Sócrates surpreendeu Louçã ao ler uma parte do programa do BE sobre o fim de benefícios fiscais, desta vez foi o líder do Bloco que confrontou (do primeiro ao último momento) José Sócrates com uma carta escrita pelo seu Governo ao Fundo Monetário Internacional, assinada pelo ministro Teixeira dos Santos, em que Portugal se compromete com “uma grande redução” da Taxa Social Única (TSU).
Louçã exigiu que o primeiro-ministro lhe dissesse ali mesmo quanto, quando e de que forma faria essa “grande” redução da TSU, mas Sócrates apenas disse que a medida estava em estudo; que a reestruturação do IVA seria feita para a consolidação orçamental e não para compensar a quebra de receitas da Segurança Social (demarcando-se do PSD); e que a ser introduzida uma descida da TSU seria “pequena” e gradual”, porque não aceita transferir carga fiscal das entidades patronais para a generalidade dos contribuintes.
O contra-ataque de Sócrates só aconteceu a meio do debate. Tal como fizera segunda-feira com o presidente do CDS, Paulo Portas, também hoje se queixou de o seu adversário não ter ainda programa disponível para ser discutido publicamente, considerando essa atitude desleal do ponto de vista democrático.
Mesmo assim, Sócrates socorreu-se do texto da moção de Francisco Louçã aprovada na recente Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, começando por se surpreender com a conclusão classista inscrita nesse documento de que “o problema de Portugal é a sua burguesia”.
A seguir, o secretário-geral do PS pegou na defesa que o Bloco de Esquerda faz da renegociação da dívida externa nacional para caraterizar essa posição de Louçã como “irresponsável”.
“Reestruturar a dívida significa não pagar. Significa calote aos credores, colapso do sistema financeiro. Significaria um prejuízo gigantesco, que seria pago com desemprego e miséria”, sustentou Sócrates.
Na resposta, Francisco Louçã referiu que parte da imprensa financeira internacional também defende a reestruturação das dívidas de Portugal e da Grécia, argumentando, depois, que há juros inaceitáveis na ordem dos 10 por cento que não devem ser pagos.
Francisco Louçã sustentou ainda que uma auditoria deveria aferir qual a parte da dívida que deveria ser paga e qual a que deveria ser renegociada e levantou a suspeita que uma parte da dívida poderá resultar de corrupção, dando como exemplo o processo de aquisição de submarinos.
“Este acordo [de Portugal com as instituições internacionais] não pode ser pago. Cria recessão”, acrescentou, antes de lembrar afirmações de Sócrates quando prometeu “150 mil empregos” em 2005, ou, mais recentemente, quando disse que entre si, primeiro-ministro, e o FMI havia dez milhões de portugueses.
Da parte de Sócrates, saiu a acusação ao Bloco de Esquerda de ter feito do PS o seu principal inimigo ao longo dos últimos dois anos e de ter sido “muleta da direita” ao votar contra o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) e ao abrir uma crise política.
Receba as principais notícias no seu email e fique sempre informado.
© 2026 Diário Digital Castelo Branco. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Albinet