Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
Junto à Capelinha das Aparições, no Santuário de Fátima, Fernando Pereira, transportava uma mochila carregada com uma imagem da Virgem de Fátima, esperançado de que o Governo torne menos pesada a carga fiscal em 2015.
Junto à Capelinha das Aparições, no Santuário de Fátima, Fernando Pereira, transportava uma mochila carregada com uma imagem da Virgem de Fátima, esperançado de que o Governo torne menos pesada a carga fiscal em 2015.
“Se pudesse baixar os impostos era ótimo”, afirmou à agência Lusa o peregrino da Póvoa do Varzim, no final de uma jornada de 250 quilómetros feita a pé para cumprir uma promessa após um acidente de motorizada o ter deixado em estado grave.
Segurando nas mãos um terço e 20 velas “para agradecer” na peregrinação internacional ao santuário que hoje começa, Fernando Pereira, empreiteiro “com trabalho”, como faz questão de realçar, quer também do Governo, a braços com o Orçamento do Estado para 2015, um olhar “pelos mais fracos”.
“Menos impostos e mais ajudas”, sintetizou, por seu turno, Liliana Melo, de 32 anos, de Oliveira de Azeméis, ao ser questionada sobre o que gostaria que o Governo, de coligação PSD/CDS-PP, reservasse nas contas nacionais para o próximo ano.
A amiga, Andreia Oliveira, de 26 anos, completou-lhe a frase: “Menos impostos e mais ajudas, não só para quem trabalha, mas principalmente para os desempregados”.
“Acho que se está a cortar muito aos desempregados”, declarou, salientando que “toda a gente tem direito a trabalhar”.
Enquanto caminha em direção à Capelinha, com as lágrimas a correrem-lhe pela face, Teresa Batista, de 41 anos, pede “mais estabilidade e que pensem nas pessoas”. E nada mais diz.
“Eu não queria que o Governo me desse, mas não queria que me tirasse tanto”, acrescentou Manuel Amorim, de 64 anos, um reformado de Ponte da Barca que, noutros tempos, procurou melhor vida em França, admitindo, agora, face às circunstâncias do país, algum arrependimento no regresso.
Encostado no muro junto ao monumento dos beatos Francisco e Jacinta Marto, o antigo emigrante, com dois filhos desempregados, lamentou que “o Estado cobre muitos impostos”, sugerindo que o faça “aos mais ricos”.
Outra ex-emigrante, Ermelinda Pombo, de 73 anos, 35 dos quais na África do Sul, lamentou “as pensões pequeninas” num país onde “se pagam muitos impostos”, mas considerou que muitas pessoas “querem emprego e não trabalho”.
“Que olhasse mais pelos pobrezinhos e baixasse os impostos”, propõe, por outro lado, Maria José de 43 anos, de Castelo Branco, que Maria Helena, de 45 anos, que a acompanha, também subscreve, apontando, ainda, a necessidade de “mais emprego” num país em que “as pessoas são números”.
A este propósito, Maria Helena exemplificou que quando vai à farmácia ninguém lhe pede o nome, mas o número de contribuinte.
Milhares de fiéis são esperados hoje no Santuário de Fátima na peregrinação internacional de 12 e 13 de outubro, que, pela primeira vez, coincide com o Dia Nacional do Peregrino.
Presidida pelo arcebispo de Goa e Damão, na Índia, Filipe Néri Ferrão, a peregrinação começa às 18:30, na Capelinha das Aparições, culminando na segunda-feira, a partir das 10:00, com a missa, bênção dos doentes e procissão do adeus.
Até sábado inscreveram-se para participar nesta peregrinação, que habitualmente maior número de pessoas leva à Cova da Iria depois da de maio, 115 grupos de 23 países, sendo Itália o país estrangeiro mais representado, com 25 grupos.
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