Resgate financeiro: Boaventura Sousa Santos defende renegociação da divida

O sociólogo Boaventura Sousa Santos considera que é preciso renegociar a dívida portuguesa no curto prazo e que uma parte dela não deve ser paga.

  • Economia
  • Publicado: 2011-05-27
  • Autor: Diario Digital Castelo Branco/Lusa

O sociólogo Boaventura Sousa Santos considera que é preciso renegociar a dívida portuguesa no curto prazo e que uma parte dela não deve ser paga.

“É preciso renegociar a dívida, porque ela é impagável e parte dela não deve ser paga, nomeadamente a que respeita ao período entre 23 de março, quando o PEC 4 foi chumbado, e o princípio de abril, quando foi pedido o resgate e os juros dispararam acima dos 07 por cento”, disse o professor à agência Lusa.

Esta recomendação está expressa no livro “Portugal, Ensaio contra a autoflagelação”, que o académico lança hoje, em Lisboa, com o objetivo de aprofundar “uma reflexão sobre o momento que vivemos”.

Perante a atual situação económica, Boaventura Sousa Santos considera que a única solução é a renegociação de uma dívida que o país não tem condições de pagar.

“É preciso ter coragem de enfrentar os riscos políticos, mas esta é a única solução”, disse.

Segundo Sousa Santos, a renegociação da dívida portuguesa tem de ser lançada antes que a economia se destrua.

“É uma questão de bom senso, basta ver o que se passa na Grécia e pensar que Portugal é o único país desenvolvido que em 2012 vai estar em recessão”, afirmou acrescentando que as pessoas devem reclamar na rua os seus direitos.

Sousa Santos defendeu ainda que os problemas económicos que Portugal atravessa têm de se resolver, “e não é com eleições”.

Embora reconhecendo as incompetências dos governantes portugueses, o autor lembrou que a situação económica do país não se deve apenas a erros de governação mas também à crise internacional, que irá afetar ainda outros países.

“A solução tem que vir da Europa porque em termos técnicos não há uma dívida portuguesa ou grega, há uma dívida europeia que devia ser tratada como tal”, afirmou.

O catedrático da faculdade de economia de Coimbra considerou ainda que o atual projeto europeu faliu e, caso a Espanha venha a precisar também da intervenção do Fundo Monetário Internacional, será o euro que estará em causa, dada a dimensão da economia espanhola.

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