Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
O Presidente da República classificou hoje o despovoamento do interior como “um dos grande problemas nacionais”, defendendo um “incentivo especial” das políticas públicas a favor das empresas que aí se fixam e criam riqueza.
O Presidente da República classificou hoje o despovoamento do interior como “um dos grande problemas nacionais”, defendendo um “incentivo especial” das políticas públicas a favor das empresas que aí se fixam e criam riqueza.
“O despovoamento do interior configura-se, nos nossos dias, como um dos grandes problemas nacionais”, afirmou o chefe de Estado, numa intervenção na sessão solene do Dia de Portugal, em Castelo Branco.
Preconizando o desenvolvimento de uma “estratégia clara de revalorização do interior do País”, através do incentivo e do apoio ao “espírito indomável” dos que aí vivem e trabalham, Cavaco Silva alertou para a necessidade de “evitar dois caminhos”.
“Um, o mais tentador, consistiria em procurar replicar o litoral do país. Essa não é a opção correta: o interior dispõe de uma identidade própria e é ela que lhe confere o seu carácter distintivo e original”, alertou, defendendo que “mais do que tentar ser uma réplica do litoral, o interior deve orgulhar-se” da sua identidade e descobrir a sua “vocação específica”, pois “a geografia não se muda, valoriza-se”.
Outra opção errada, “e para mais irrealista”, continuou o chefe de Estado, consistiria em julgar que é possível regressar “a um passado que já passou”, pois apesar de se dever “preservar tradições e manter os vestígios da memória, salvaguardar o património material e imaterial”, é “utópico pensar que o desenvolvimento de uma região e o bem-estar das suas populações podem assentar na nostalgia de um tempo que não irá retornar”.
“No interior, impõe-se tirar partido das potencialidades e das riquezas que só aqui existem”, frisou, atribuindo às autarquias, às empresas e aos empreendedores locais, o papel prioritário na valorização destes ativos, porque são eles melhor do que ninguém, que conhecem os recursos existentes, as vantagens relativas de que dispõem e a realidade económica e social que os rodeia.
Desta forma, salientou, “justifica-se um incentivo especial das políticas públicas a favor das empresas que aqui se fixam e criam riqueza”.
Numa intervenção centrada no tema da interioridade, o Presidente da República pediu ainda “uma especial atenção ao mundo rural”, advogando a necessidade de se “produzir mais e melhor, mas sobretudo que produzir diferente”, tirando partido das condições favoráveis do clima do país e apostando naquilo que diferencia a produção portuguesa face à produção dos seus parceiros.
“Temos de desenvolver um programa de repovoamento agrário do interior, criando oportunidades de sucesso para jovens agricultores”, disse, preconizando igualmente uma gestão sustentável dos recursos florestais.
Cavaco Silva deixou ainda uma nota sobre as cidades médias do interior, defendendo a sua atuação em rede, “ao invés de se fecharem sobre si próprias e cultivarem rivalidades ancestrais”.
Contudo, avisou, não se devem repetir no interior erros cometidos noutras zonas do país e estas cidades médias devem afirmar-se como espaços de qualidade de vida.
“Aqui, em Castelo Branco, poderemos buscar no exemplo dos portugueses do interior a inspiração de que precisamos para, uma vez mais, fazer das fraquezas forças e transformar as adversidades em oportunidades”, declarou.
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