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País 15 de junho de 2011

Misericórdias: Procura das cantinas aumenta em alguns casos 400 por cento, cada vez há mais crianças e jovens

Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa

Há cada vez mais crianças e jovens a comerem nas cantinas das Misericórdias. O aumento de pessoas que procuram refeições ronda já os 400 por cento, alerta o responsável da instituição.

Há cada vez mais crianças e jovens a comerem nas cantinas das Misericórdias. O aumento de pessoas que procuram refeições ronda já os 400 por cento, alerta o responsável da instituição.

O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), Manuel Lemos, mostra-se ainda preocupado com a sustentabilidade deste apoio social, devido à crescente dificuldade das famílias e dos utentes em comparticipar.

As misericórdias são comparticipadas em grande parte pela Segurança Social, no âmbito dos acordos de cooperação e regra geral pagam sempre a tempo e horas, afirma.

“Questão diferente é saber se esse dinheiro chega. A situação é particularmente delicada, porque no preço da resposta social está a comparticipação das famílias e dos utentes e o que verificamos é uma crescente dificuldade das famílias e utentes em comparticipar”.

Esta dificuldade é explicada pelo responsável com a situação social que se vive: há muita gente desempregada e estes seviços oneram muito a classe média, que recorre às instituições.

“Sempre disse que não há motivo para ninguém ter fome em Portugal, porque, juntamente com as IPSS [Instituições Particulares de Solidariedade Social], temos a maior rede de cozinhas do país e estamos em condições de fazer chegar comida às pessoas, mas isso traduz-se num aumento da nossa despesa”, alerta.

Para ilustrar a situação que se vive atualmente, Manuel Lemos afirmou que em muitas cantinas sociais há aumentos da ordem dos 200, 300, ou 400 por cento, variando de região para região, mas na generalidade verifica-se um aumento muito significativo.

O responsável alerta também para a “mudança completa do perfil” de pessoas que procuram ajuda e que recorre às cantinas: vai gente muito mais nova, vai gente que há um ano ou seis meses tinha emprego e agora já não tem.

“Nos últimos dois anos esse aumento é contínuo e nos últimos seis meses tem sido acelerado”, sublinha.

Assegurando que os futuros governantes conhecem esta realidade, que lhes foi transmitida pelo próprio, Manuel Lemos acredita que quando chegar o momento, serão feitas as opções certas, que são as prioridades.

“Às vezes não é preciso dinheiro”, afirma. E conta um caso: “a determinada altura começaram a aparecer crianças com fome e pensámos que o melhor sítio para lhes dar de comer era nos nossos jardins-de-infância e nos ATLs. Fomos impedidos pela Segurança Social, porque considerou que era 'catering'”.

O presidente da UMP afirmou que passou por cima desse impedimento e sublinhou, mostrando indignação, que ninguém estava a pagar nada, as misericórdias estavam a oferecer comida.

“Está uma criança com fome, não lhe vamos dar de comer no refeitório onde estão idosos, vamos dar-lhes de comer ao lado de outras crianças, ate a integramos socialmente”, explicou.

É por situações como esta que Manuel Lemos considera que por vezes “o Estado português é completamente irrazoável e insensato”, e frisa que é necessário haver flexibilidade, compreensão e perceber que todos estão a trabalhar para o mesmo lado.

“E se porventura não estivermos a trabalhar bem, agradecemos muito que nos ajudem a corrigir o tiro, para trabalhar melhor. Não suportaremos, nem aceitaremos prepotência e arrogância na forma de trabalhar. Isso não, esse tempo acabou”, garantiu.

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