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Região 26 de junho de 2011

Minérios: Em Ródão, prospeção de ouro transformou-se em atividade de turismo de natureza

Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa

Na Foz do Cobrão, aldeia com 40 habitantes no concelho de Vila Velha de Ródão, chegou a haver dezenas de pessoas a procurar ouro nas margens do Rio Ocreza a meio do século XX.

Na Foz do Cobrão, aldeia com 40 habitantes no concelho de Vila Velha de Ródão, chegou a haver dezenas de pessoas a procurar ouro nas margens do Rio Ocreza a meio do século XX.

Hoje, a atividade de passar as terras a pente fino, com uma caleira, uma bacia e a ajuda da água do rio, serve para entreter turistas. Ao longo das décadas, com o mercado global e a evolução tecnológica, nasceram formas mais rentáveis de obter ouro e em maiores quantidades.

A tradição do ouro transformou-se em atividade lúdica pelas primeiras vezes na década de 80, refere Carlos Neto de Carvalho, coordenador científico do Geopark Naturtejo - estrutura intermunicipal que unificou a oferta turística da região, em torno do património geológico.Por 10 euros por pessoa, a empresa Incentivos Outdoor organiza um programa de meio-dia intitulado “Há Ouro na Foz”, explica o responsável pela empresa, Nuno Coelho, à Agência Lusa.

Mas apesar de iniciativas isoladas, só com o nascimento do Geopark (integrado na rede mundial da UNESCO) em 2006 é que a exploração turística do tema tomou forma.

De sandálias e calções, os visitantes “vivem a experiência” de outros tempos temperada com a água fresca do rio e “ouvem o testemunho” do último prospetor de ouro vivo, Manuel Gonçalves, de 85 anos.

Garante que ainda hoje, de cada vez que é chamado a acompanhar turistas, encontra sempre ouro à beira do rio e não deixa ninguém ir embora de mãos a abanar.

São pequenas partículas milimétricas que se confundem com grãos de areia, é certo, as mesmas com que antigamente os prospetores faziam “pequenas bolas de ouro ao fim de cada semana, que depois eram vendidas a ourives de Cantanhede e do Norte”, descreve.

Hoje, o ouro é mais um tema para o Geopark atrair turismo de natureza, sublinha Carlos Neto de Carvalho.

As atividades à beira do rio “potenciam o convívio, o trabalho de grupo e o usufruto da paisagem natural”, sendo que para além dos grupos nacionais e muitas escolas, “há uma procura crescente por parte de turistas estrangeiros”, sobretudo espanhóis.

Nuno Coelho aponta para duas mil visitas por ano à Foz do Cobrão, onde a empresa explora também um restaurante de gastronomia regional, com vistas para todo o vale escavado pelo Ocreza.

O tema do ouro, “só por si não é rentável, mas associado às outras ofertas turísticas do Geopark transforma este projeto numa atividade viável do ponto de vista financeiro.

Afinal, apesar da subida do preço do ouro nos mercados mundiais nos últimos tempos, as paisagens naturais, a gastronomia e o azeite, ouro líquido da região, “são as principais riquezas” por explorar na região Naturtejo, conclui Carlos Neto de Carvalho.

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