Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
O mapa ferroviário português requer o funcionamento do troço Guarda - Covilhã da Linha da Beira Baixa, disse à Agência Lusa fonte de uma associação cívica defensora daquela ferrocia, onde não há circulação há dois anos e falta dinheiro para acabar obras em curso.
O mapa ferroviário português requer o funcionamento do troço Guarda - Covilhã da Linha da Beira Baixa, disse à Agência Lusa fonte de uma associação cívica defensora daquela ferrocia, onde não há circulação há dois anos e falta dinheiro para acabar obras em curso.
A eletrificação entre Castelo Branco e Covilhã está prestes a ser inaugurada (as obras de modernização estão concluídas), mas para norte, o mato tomou conta da linha.
Os comboios deixaram de circular naquele troço em fevereiro de 2009 para renovação da via com 120 anos de idade mas, após o investimento em pontes, túneis e 10 quilómetros de linha, a REFER admitiu à Lusa aguardar agora por verbas para concluir as obras.
Questionada sobre o ponto de situação dos trabalhos, fonte da REFER referiu à Agência Lusa que “ainda não há obra” e que a mesma depende “das decisões do governo sobre o plano de investimentos”. Ou seja, “com os condicionalismos existentes, aguardam-se decisões” para que possa “ser definido um calendário”.
Além de faltar dinheiro, o encerramento do troço está previsto num estudo que o anterior Governo PS entregou à “troika”, à revelia da REFER, segundo revelou o jornal Público.
Para Hélder Bonifácio, diretor da Associação de Amigos da Linha da Beira Baixa, “o estudo foi feito por indivíduos que não conhecem o terreno e se não há conhecimento da REFER, mais parece uma missa sem padre”.
De acordo com aquele responsável, que há décadas acompanha o dia-a-dia da linha férrea, o mapa ferroviário requer o funcionamento do troço Guarda - Covilhã para que a Linha da Beira Baixa seja alternativa à Linha da Beira Alta na ligação à Europa.
Basta que um dia “haja qualquer problema na Linha da Beira Alta e todo o trafego internacional que passa por Vilar Formoso, em direção a Espanha ou Lisboa, não tem solução. Para resolver isso, a Beira Baixa sempre cá esteve”, sublinha.
O Sud-express entre Lisboa e Paris, entre outras composições, já passaram entre a Guarda e a Covilhã.
A outra ligação ferroviária a Espanha, mais próxima, passa por Elvas, “um trajeto muito maior, sendo que qualquer desvio de comboios representaria uma operação muito complexa. Nem sei se os espanhóis conseguiriam gerir essa situação”, sublinha.
Confrontado com a atual falta de dinheiro para terminar as obras de modernização, aquele responsável defende que “a linha entre a Covilhã e a Guarda pode abrir como está. Basta fazer a desmatação e substituir algumas travessas podres”.
É certo que continuaria a funcionar com a velocidade máxima de 40 quilómetros por hora nalguns locais, mas cumpriria a sua “função estratégica e serviria para transporte de mercadorias”.
A linha atravessa uma zona que hoje “está desertificada, com localidades pouco povoadas e estações e apeadeiros afastados, que faziam sentido há 50 anos quando o caminho-de-ferro era o meio de transporte exclusivo”.
Hoje, qualquer pessoa viaja pelas vias rodoviárias, pelo que “o futuro da linha da Beira Baixa serão sempre as mercadorias”.
Pela Beira Baixa, “a ligação ferroviária entre Espanha e Lisboa tem menos 50 quilómetros que pela Beira Alta e a ferrovia sai mais barata que pela a rodovia, tendo em conta as taxas ambientais”, conclui Hélder Bonifácio.
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