Por: Cristina Valente
O consumo de pão caiu 35 por cento, nos últimos doze meses. As contas são da Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares que alerta para centenas de negócios que podem fechar, até final do ano.
O consumo de pão caiu 35 por cento, nos últimos doze meses. As contas são da Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares que alerta para centenas de negócios que podem fechar, até final do ano.
A Associação de Panificadores queixa-se que o corte nos ordenados e o aumento do IVA obrigaram os portugueses a diminuir as idas à padaria. Segundo a associação, centenas de negócios podem fechar, até final do ano.
Fomos saber se os Albicastrenses deixaram, ou diminuíram o consumo de pão. Pedro Folgado proprietário das Padarias Montalvão diz que há de facto uma ligeira quebra na venda, mas não acredita que se esteja a comer menos pão “o que acontece é que antigamente comprava-se um pão de meio quilo por dia, as sobras não eram aproveitadas, hoje aproveita-se tudo, e já não se compra um pão por dia”. Ou seja antes da crise esbanjava-se? Perguntámos. “É verdade os portugueses viviam muitas vezes acima das suas possibilidades e esbanjavam muito, não só no pão, mas em muitas outras coisas, hoje estão a aprender a poupar e aproveitar tudo” conclui o empresário.
Como noutros produtos também no mercado do pão as grandes superfícies são uma concorrência “as pessoas compram o pão nessas superfícies e nem sequer percebem que muitas vezes estão a comprar mais caro do que cá fora” alerta Pedro Folgado.
As Padarias Montalvão têm mantido nos últimos anos o preço do seu pão, e neste momento está a vender mais barato do que há 4 anos atrás “já vendemos o pão de meio quilo a 1 euro, depois baixámos para os 75 cêntimos, e agora vendemos a 85” com os aumentos anunciados de luz, gás, cereais os empresários têm que fazer contas “temos que estar atentos e se for necessário teremos mesmo que fazer alguns acertos, o negócio tem que ter alguma rentabilidade”.
Para além do pão, as Padarias Montalvão têm também bolos e salgados, e também ai as vendas sofreram uma pequena quebra “continuamos a ter os clientes que todos os dias vêm tomar o pequeno almoço ou o lanche, mas agora um bolo é partilhado, é sinal da crise e das dificuldades”.
Com 13 estabelecimentos abertos, em Castelo Branco e Alcains, Pedro Folgado não esconde que a mais rentável continua a ser a casa mãe, na zona industrial “fazendo as contas à caixa que faço nos vários estabelecimentos só há uma que está em vias de fechar por não ser mesmo rentável, a padaria que temos no Mercado Municipal” uma situação que o empresário não atribui só à crise, mas também ao facto de o mercado municipal, praça, ter vindo a perder clientes “o espaço não tinhas condições, as pessoas fugiram de lá e agora não voltam” .
Se o fecho for uma realidade, Pedro Folgado terá que ponderar a integração da funcionária efectiva noutro estabelecimento, dispensando algum dos contratados “temos actualmente cerca de 100 funcionário, é claro que não gostámos de enviar ninguém para o desemprego mas a gestão tem que ser feita” o empresário compreende a situação complicada que se vive em termos de desemprego no país, mas fala também da falta de profissionalismo existente “há funcionários que têm algum dom, mas a maior parte não, e vão para as formações com a cabeça noutro sitio, não tirando proveito nenhum dessas formações, o que numa altura destas de crise, e quando o empregador se vê obrigado a despedir é obvio que tudo isso tem que ser tido em conta”.
Não estragar é palavra de ordem dos consumidores
Maria de Jesus compra pão diariamente, ir á padaria é já uma rotina “tenho que cá vir todas as manhãs, é também uma forma de falar um pouco com as meninas” para cumprir a rotina e não estragar tem mais cuidados com a compra “antigamente comprava sempre a mesma quantidade, e a verdade é que às vezes se estragava pão, hoje vejo o que sobrou e por exemplo uso logo no café da manhã torrado, e já compro menos nesse dia”.
José Alberto confessa que em casa não pode faltar pão “em casa todos gostam muito de pão, e não pode faltar na mesa em todas as refeições, por isso e porque nunca gostei de estragar, compro como sempre comprei” para combater a crise esta família prefere cortar noutras coisas “acho que podemos poupar noutras coisas, mesmo relacionadas com a alimentação, mas no pão não” afirma peremptório.
Receba as principais notícias no seu email e fique sempre informado.
© 2026 Diário Digital Castelo Branco. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Albinet