Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
Aos 56 anos, o médico Themudo Barata voltou a ser aluno para fazer aquilo de que sempre gostou: tocar guitarra portuguesa. Reduziu as consultas e as aulas de nutrição na Covilhã ao mínimo e agora é um dos alunos da única licenciatura em guitarra portuguesa no país, que funciona na Escola Superior de Artes de Castelo Branco (ESART).
Aos 56 anos, o médico Themudo Barata voltou a ser aluno para fazer aquilo de que sempre gostou: tocar guitarra portuguesa. Reduziu as consultas e as aulas de nutrição na Covilhã ao mínimo e agora é um dos alunos da única licenciatura em guitarra portuguesa no país, que funciona na Escola Superior de Artes de Castelo Branco (ESART).
Reside em Lisboa e descola-se à região duas vezes por semana, tal como outros sete colegas, alguns dos Algarve, que aprendem sob orientação de Custódio Castelo. Uns estão a aprender os primeiros acordes, Themudo Barata aperfeiçoa a técnica que conheceu "aos 20 anos, ainda antes de ser médico", recorda.
Agora, diz ter optado pelo luxo de "ganhar um pouco menos" para passar "30 a 40 horas por semana a estudar guitarra e a tocar, em casas de fados de Lisboa e Estoril e nos concertos que vão aparecendo". Ao lado, Ricardo Gordo, de Portalegre, era em 2009 um aluno insatisfeito num curso de engenharia, no Porto, quando descobriu a guitarra portuguesa.
Ainda toca guitarra elétrica com amigos, em bandas, mas rapidamente percebeu que conseguia "expressar melhor os sentimentos" com o instrumento que dá corpo ao fado. Todos os dias dedilha a guitarra e quando tem inspiração compõem os seus próprios temas.
Custódio Castelo, guitarrista e professor responsável pelo curso na ESART, não faz a coisa por menos: "no fado, o que existe é um ato de amor entre o guitarrista e o cantor", muitas vezes "com total improviso, com base em sentimentos expostos no momento".
O que o curso da ESART traz de novo é "sistematizar um ensino que passava de geração em geração" e certificar as capacidades de muitos guitarristas.
Um saber antigo "que agora pode ser reconhecido por um instituto politécnico", algo de que grandes mestres daquele instrumento "nunca dispuseram", destaca Miguel Carvalhinho, professor de guitarra clássica e impulsionador da licenciatura.
A ESART complementa cursos de conservatório de guitarra portuguesa que não tinham continuidade a nível superior e espera lançar no mercado novos professores, que venham depois a incentivar outros a seguir os estudos.
No primeiro ano da licenciatura aprendem-se os fados tradicionais, no segundo vêm os temas de autor e no terceiro pratica-se o improviso.
O reconhecimento do fado como Património Mundial da Humanidade trouxe "maior notoriedade", mas sobretudo "mais respeito" por esta arte, destaca Custódio Castelo.
Mas já antes, o fado vinha ganhando protagonismo, ou seja, "já não são só as tunas que fazem a noite académica na cidade de Castelo Branco", acrescenta Miguel Carvalhinho.
Atento ao que se passa nas ruas e no mundo, José Raimundo, diretor da ESART, entende que o ensino superior deve ser "reflexo do que se faz na sociedade".
No caso da música, "não tinha cabimento estarmos de olhos fechados" e tal como já havia sido criado o curso de acordeão, foi entendido que "a guitarra portuguesa tem um papel fundamental" na sociedade.
O curso de guitarra portuguesa da ESAR funciona desde 2008 e recebe oito alunos, no máximo, devido à carga horária individual necessária.
Segundo José Raimundo, "há vontade de criar opções de canto de fado e viola de acompanhamento" para completar o grupo que acompanha a guitarra.
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