Por: Diário Digital Castelo Branco com Lusa
O movimento Idanha Viva manifestou esta 2ªfeira, dia 17 de Maio, ao Governo a "mais profunda preocupação" com a construção do IC31, visto que a ausência de grandes vias rodoviárias foi a razão que levou muitas pessoas a optarem por viver neste território.
"A ausência de infraestruturas rodoviárias de grande envergadura, como autoestradas, em Idanha-a-Nova, foi a principal razão que levou alguns de nós a quererem mudar para o concelho nos últimos anos ou em breve, em busca de uma alternativa aos meios urbanos", afirma um manifesto que hoje foi entregue ao Governo e ao qual a agência Lusa teve acesso.
Um dos elementos do movimento Idanha Viva, Samuel Infante, entregou em Castelo Branco, à ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, um manifesto onde expressa a "mais profunda preocupação com a ideia de construção do IC31". Como o Diário Digital Castelo Branco anunciou, a Ministra esteve em Castelo Branco, no auditório da Associação Empresarial da Beira Baixa (AEBB) na tomada de posse dos novos órgãos da Associação Sociais da Associação.
"A construção de uma autoestrada irá cortar e fraturar, literalmente, uma das últimas regiões remanescentes de Portugal não fragmentadas por grandes vias. Observamos um enorme potencial para o ecoturismo sustentável na região de Idanha-a-Nova, que o IC31 deitará a perder", sustentam.
No rol de argumentos expresso no documento, os subscritores referem designadamente que a maioria dos elementos que integram este movimento "mudou-se para o concelho de Idanha-a-Nova depois da última avaliação de impacto do IC31 ter sido concluída, em 2011".
Agora, alertam, as suas vidas e meios de subsistência "estão em perigo".
"A construção do IC31 destruirá centenas de hectares e mudará para sempre a ecologia da região, levando ao desaparecimento de inúmeras espécies de fauna, aves, mamíferos (incluindo humanos), insetos, répteis e de flora", advogam.
O movimento entende que a chegada de novos residentes portugueses e estrangeiros ao concelho de Idanha-a-Nova tem sido responsável pelo aumento do número de alunos nas escolas locais e pela recuperação de edifícios em ruínas, bem como pelo ressurgimento de tradicionais e artesanais práticas que corriam o risco de desaparecer.
Os subscritores do manifesto apelam, ainda, à Câmara Municipal de Idanha-a-Nova que se comprometa com os valores e compromissos que publicitou ao longo dos últimos anos, o que inclui a defesa da biorregião, dos ecossistemas, desenvolvimento e agricultura sustentáveis.
"Acreditamos que as razões que motivaram o projeto do IC31 há tantas décadas são hoje obsoletas. Outras prioridades surgiram. As alterações climáticas e a perda de ecossistemas são ameaças graves para esta região e para Portugal que, tendo assumido a liderança do parlamento da UE [União Europeia] em 2021, espera-se que dê o exemplo, podendo Idanha-a-Nova assumir um papel preponderante", concluem.
O "Idanha Viva" é um movimento coletivo, de atuais e futuros residentes no concelho de Idanha-a-Nova, no distrito de Castelo Branco.
Originários de vários cantos do mundo, une-os a busca de um ideal e o amor a Idanha-a-Nova, terra onde dizem que o encontraram.
Segundo os dados facultados à Lusa pelo próprio Idanha Viva, que fez um inquérito, estes residentes somam mais de 100 pessoas, distribuídas por cerca de 40 famílias, que já fizeram mais de 1,6 milhões de euros de investimento privado em Idanha-a-Nova.
Anualmente gastam mais de 500 mil euros na economia real local, sublinham.
O projetado IC (itinerário complementar) 31 pretende ligar a A23, na zona de Alcains (Castelo Branco) à fronteira com Espanha, nas Termas de Monfortinho, numa extensão de mais de meia centena de quilómetros.
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