Por: José António Baleiras
No seguimento da publicação por parte do Diário Digital Castelo Branco da notícia da Agência Lusa sobre o apoio que o Governo deu à Quinta das Amoras, localizada na freguesia de Zebreira, concelho de Idanha-a-Nova, o proprietário deste empreendimento, Luís Dias, contactou-nos e declarou uma versão bem diferente dos factos que o governo anunciou à Agência Lusa
Ao enviar uma carta aberta ao primeiro ministro, António Costa, que explica todo o processo, como o "Ministério da Agricultura mais uma vez mentiu, e consequentemente não me resta alternativa senão retomar o protesto, não obstante o enorme risco para a minha vida", afirma Luis Dias.
O agricultor também declara ao Diário Digital Castelo Branco que na reunião desta 3ªfeira passada, dia 4 de Janeiro, o Ministério da Agricultura recusou-se estudar qualquer solução que seja para a Quinta das Amoras, mostrando-se apenas disponível para pagar os fundos europeus que devia ter pago há 4 anos atrás.
O proprietário da Quinta refere que o relatório da Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMOT) comprovou que durante 8 anos a Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro (DRAPC) entre crimes, ilegalidade e omissões impediu a Quinta das Amoras de funcionar. E há 4 anos atrás impediu a reconstrução, primeiro negando e posteriormente retendo as verbas para a reconstrução da estufas.
"Ao fim destes 4 anos, depois de as plantas estarem mortas, dos equipamentos degradados pelo tempo, o Ministério pretende apenas pagar os apoios europeus que reteve este tempo todo como se nada se tivesse passado. E tudo o resto, por milagre terá de sair do nosso bolso", afirma Luís Dias.
Segundo o agricultor não houve disponibilidade para nada, para um plano de recuperação, para remeter o assunto à provedoria de justiça, para usar as verbas do PRR, ou até abrir uma linha de crédito, ou seja, o Secretário de Estado aceita e concorda, já que remeteu ao Ministério Público, que existiram 8 anos de crimes por parte da DRAPC que impediram a quinta das amoras de funcionar mas insiste que a responsabilidade disso não é do Estado e recusa-se a tudo.
"Basicamente fizeram-nos lá ir para uma manobra publicitária e punirem-nos mais uma vez por termos denunciado a corrupção no Ministério da Agricultura.
A situação neste momento é semelhante a isto: imagine que o vento lhe leva o telhado da casa. Há fundos europeus para reparar e é suposto o governo pagá-los. Mas em vez disso arrastam tudo 4 anos até o recheio da casa se degradar e as paredes ruírem. Ao fim de 4 anos dizem “upps engámo-nos” e querem-lhe pagar as verbas do telhado e apenas as verbas para o telhado. Ora sem casa, de que serve reconstruir o telhado?", conclui a reação do proprietário da Quinta das Amoras à notícia veiculada pela Agência Lusa.
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