Por: Diário Digital Castelo Branco
A candidatura do Bloco de Esquerda (BE) pelo círculo eleitoral de Castelo Branco reuniu-se, este sábado, dia 22 de Janeiro, com o sapador florestal e sindicalista, Alexandre Carvalho, na sede do partido na cidade da Covilhã.
A reunião teve como objetivo conhecer de perto o trabalho destes profissionais, um trabalho que é extremamente importante para a região, e as suas preocupações.
Os bloquistas declaram ao Diário Digital Castelo Branco que estes profissionais trabalham com contratos precários e na sua maioria estão a chegar ao seu termo, nomeadamente os sapadores florestais das Comunidades Intermunicipais Médio Tejo e Beira Baixa, Alexandre Carvalho alertou para a passividade das autarquias que ainda não garantiram a manutenção destes profissionais, abrindo concursos a tempo indeterminado e assim mantendo estes postos de trabalho fundamentais para toda a região.
Um dos exemplos da precariedade laboral é a situação da Comunidade Intermunicipal Beiras e Serra da Estrela (CIMBSE), que deixou terminar os contratos a termo certo no dia 15 de janeiro, não abrindo concurso para admissão a vínculos por tempo indeterminado e ainda agendado esquemas com o apoio de 15 municípios para que os trabalhadores passem a recibos verdes. Ações encobertas que visam o propósito de extinguir estes postos de trabalho responsabilizando assim os trabalhadores pela falta de coragem dos municípios afetos à CIMBSE.
Para o BE uma das grandes falhas que existe nesta área é a falta da carreira e estatuto profissional de sapador florestal, que regule todo o setor, seja no público ou privado e que acabe com a precariedade laboral num setor especializado na realização de trabalhos de silvicultura preventiva durante o inverno e no apoio aos fogos rurais durante o verão, que recebem 705 euros, sem subsídio de risco, sem suplementos e sem progressão.
Para os bloquistas a criação de uma carreira profissional é urgente porque existem trabalhadores a ganhar diferentes salários, mas prestam os mesmos serviços nas mesmas funções. A falta de carreira também dificulta a gestão dos seguros em âmbito laboral, sobretudo no setor privado, onde é necessário reformular os apoios às entidades detentoras de equipas de sapadores florestais, sendo estas instituições um fator de empregabilidade sobretudo em regiões do interior.
Um dos exemplos de como o Governo tem maltratado e mal gerido este setor foi a aquisição de vários tratores, com pompa e circunstância, em março de 2021, onde investiu milhões de euros (imputados às CIM), mas que não servem esta região, portanto, estão armazenados ou à espera de ser substituídos por tratores mais pequenos e com maior manobrabilidade do que os anteriores e que se adequem à realidade do território.
Milhões de euros gastos em máquinas e mais um vez esqueceram-se de valorizar os trabalhadores que todos os dias executam ações de gestão de combustíveis em locais onde nenhuma máquina entra e onde é necessário criar uma faixa de redução de combustíveis para que possa salvaguardar as populações e preservar a nossa fauna e flora.
Para além das questões relacionadas com os sapadores florestais, foi dado a conhecer a situação em que se encontram os vigilantes da natureza que lutam pela revisão da sua carreira profissional que está congelada há mais de 20 anos, na nossa região podemos encontrar os Vigilantes da Natureza na Serra da Estrela ou na zona do Tejo Internacional. Estes trabalhadores são essenciais para a salvaguarda nas nossas áreas protegidas e reservas naturais, estando na vanguarda na proteção de várias espécies selvagens como o lince ou o lobo.
O BE defende que é urgente apostar na valorização dos trabalhadores, regularizando a integração na carreira profissional e a criação do estatuto profissional aos Sapadores Florestais, que regulamente toda a atividade, reconhecendo a sua especialização e qualificação aumentando a sua remuneração base para valores adequados face ao trabalho que executam e às responsabilidades que possuem. Atribuindo a estes trabalhadores um suplemento de risco derivado à sua atividade laboral seja de inverno ou de verão.
É ainda fundamental apostar na revisão da carreira profissional dos Vigilantes da Natureza, reconhecendo a estes trabalhadores o seu trabalho na conservação da natureza e abrindo concurso para admissão de pelo menos 100 postos de trabalho.
No panorama nacional e a importância que a conservação da natureza e florestas desempenha na atualidade, muito graças às alterações climáticas é fundamental apostar na valorização e dignificação, do trabalho e dos trabalhadores.
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