Por: Diário Digital Castelo Branco
O presidente da Câmara de Vila Velha de Ródão afirma que o trabalho desenvolvido na região por gerações de arqueólogos e académicos contribuiu para a revelação da riqueza do património arqueológico local a nível nacional e internacional.
“Se ao pioneirismo de Francisco Tavares Proença Júnior devemos as primeiras descobertas na área do megalitismo, ao grupo para o estudo do paleolítico português devemos a continuidade deste trabalho, com a identificação do complexo de arte rupestre do Vale do Tejo como um dos mais importantes conjuntos de arte pós-paleolítica da Europa, e o reconhecimento de dezenas de sítios arqueológicos datados do Paleolítico no concelho [Vila Velha de Ródão]”, afirmou Luís Pereira.
O autarca falava à margem da sessão de abertura do colóquio “Arqueologia em Ródão: trabalhos recentes”, organizado pelo município e pela Associação de Estudos do Alto Tejo (AEAT) e que decorre hoje na Casa de Artes e Cultura do Tejo, em Vila Velha de Ródão.
“Estas campanhas foram determinantes na formação de uma nova geração de arqueólogos e investigadores e contribuíram para o renovar do interesse pela arqueologia na região, que estão na génese da Associação de Estudos do Alto Tejo”, frisou.
Adiantou que o entusiasmo inicial desse grupo de jovens “garantiu a continuidade dos trabalhos de prospeção e de escavação na região” e contribuiu para “uma importante tradição de investigação e publicação de estudos que se traduziu num saber consolidado que continua a dar frutos, como o comprova o presente colóquio”.
Luís Pereira realçou ainda o trabalho feito na região, ao longo dos últimos cem anos, “por gerações de arqueólogos e académicos”, trabalho esse que “contribuiu para a revelação da incontornável riqueza e singularidade do património arqueológico, não apenas no contexto nacional, mas também a nível internacional”.
“Esperemos que esta seja uma jornada não só de reflexão sobre o trabalho realizado, mas também uma oportunidade de nos ajudar a pensar a forma como este património deve estar no centro de uma estratégia concertada de promoção e desenvolvimento da região”, concluiu.
Já o coordenador da Associação de Estudos do Alto Tejo (AEAT) disse que este colóquio constitui um especial momento de encontro de investigadores e de reflexão sobre o trabalho desenvolvido por aqueles que acreditam no potencial da região e nela trabalham há várias décadas.
“Cremos que será também uma jornada de compromisso e de confluência que possibilite o abrir as portas para as tomadas de decisão que, em nossa opinião, devem ser assumidas por investigadores e decisores, especialmente no contexto da Beira Baixa, para que o conhecimento científico relativo ao património que nos liga possa, decididamente, ser assumido como elemento de identidade e fomentador de estratégias de promoção e desenvolvimento capazes de alavancar a construção de um futuro mais promissor e sustentável”, afirmou Jorge Gouveia.
Este responsável sublinhou ainda que a investigação arqueológica, matriz original da AEAT, transformou-se numa representatividade ímpar e pioneira na arqueologia regional e nacional.
A demonstrá-lo está a descoberta e levantamento do complexo de arte rupestre do Tejo, a primeira intervenção de arqueologia de salvamento realizada no país.
A AEAT é uma associação sem fins lucrativos, fundada em 1973 e legalizada em maio de 1987. Tem a sede social em Vila Velha de Ródão e desenvolve a sua atividade no território dos concelhos de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Nisa, Oleiros, Proença-a-Nova e Vila Velha de Ródão.
A associação tem como objetivos a defesa, conservação e valorização do património cultural e natural nas regiões envolventes e vizinhas do Alto Tejo português, através do seu estudo, da realização de atividades formativas e de convívio com a natureza, bem como da promoção do seu desenvolvimento sustentável.
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