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Cultura 6 de outubro de 2022

Castelo Branco: Artistas Unidos no Cine-Teatro Avenida dia 21 de Outubro

Por: Diário Digital Castelo Branco

Os Artistas Unidos apresentam "Vidas de Artistas de Noël Coward em Castelo Branco.

A última encenação de Jorge Silva Melo estará em cena no Cine-Teatro Avenida no dia 21 de Outubro, 6ªfeira, às 21:30 horas.

A última vez que a comédia de 1932 de Noël Coward foi revisitada numa grande produção, no Donmar em 1994, foi apresentada como um hino atrevido à bissexualidade e às maravilhas de um ménage à trois. Mas a revisitação de Anthony Page, infinitamente mais subtil e divertida, relembra-nos que o hedonismo cosmopolita de Coward foi sempre igualado por um puritanismo estrutural e que a peça oferece um autêntico concurso entre a  talentocracia boémia e a ortodoxia moral.

O que reparamos primeiro é a sua perfeita simetria. Começa num estúdio em Paris e estabelecem-se claramente as principais linhas da acção: Gilda, uma decoradora de interiores, que vive com o artista Otto, mas é igualmente atraída pelo dramaturgo Leo. Os dois homens, claramente, terão também desfrutado de uma intimidade apaixonada que antecede Gilda. À medida que a acção se move para Londres e Nova Iorque e que as personagens ascendem no mundo, as permutas e combinações sexuais intensificam-se, perante a crescente reprovação de Ernest, negociante de arte e amigo do trio.

É perfeitamente possível ver a peça como uma apologia, por parte de Coward, da privilegiada amoralidade do artista e um ataque ao conservadorismo burguês.

Mas a produção de Page mostra algo mais complexo. Para começar, Gilda não é uma mera femme fatale, mas antes uma mulher selvagem, inquieta e infeliz que se sente marginalizada pela sua falta de sucesso material e por ser uma forasteira sexual num mundo de afecto masculino. O que mostra, com grande élan, é a crescente independência de Gilda e a constatação de que é apenas quando o trio enfrenta a verdade sobre si próprio que Gilda pode ser uma igual.

Leo, uma criança demasiado crescida e dada a birras. As palavras tropeçam da sua boca em torrentes quando a sua vontade é contrariada. Otto, sugere também uma criatura requintadamente mimada que só pode existir com o apoio emocional dos outros dois.

(…)

Certa vez, sugeri que Coward era um dandy puritano com um Martini numa mão e exemplos de moralidade na outra; e esta produção perspicaz e animada sugere que pode haver mais do que um grão de verdade nessa observação.

 

Sinopse:

Vida de Artistas de Noël Coward 

Tradução José Maria Vieira Mendes 

Com Nuno PardalRita BrüttPedro CaeiroAmérico SilvaAntónia TerrinhaTiago MatiasRaquel MontenegroAna AmaralPedro CruzeiroJefferson Oliveira 

Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves 

Luz Pedro Domingos

Som André Pires 

Coordenação Técnica João Chicó  

Assistente Nuno Gonçalo Rodrigues e Noeli Kikuchi 

Encenação Jorge Silva Melo 

Coprodução Artistas Unidos / SLTM / TNSJ M12

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