Por: Diário Digital Castelo Branco
Os Artistas Unidos apresentam "Vidas de Artistas de Noël Coward em Castelo Branco.
A última encenação de Jorge Silva Melo estará em cena no Cine-Teatro Avenida no dia 21 de Outubro, 6ªfeira, às 21:30 horas.
A última vez que a comédia de 1932 de Noël Coward foi revisitada numa grande produção, no Donmar em 1994, foi apresentada como um hino atrevido à bissexualidade e às maravilhas de um ménage à trois. Mas a revisitação de Anthony Page, infinitamente mais subtil e divertida, relembra-nos que o hedonismo cosmopolita de Coward foi sempre igualado por um puritanismo estrutural e que a peça oferece um autêntico concurso entre a talentocracia boémia e a ortodoxia moral.
O que reparamos primeiro é a sua perfeita simetria. Começa num estúdio em Paris e estabelecem-se claramente as principais linhas da acção: Gilda, uma decoradora de interiores, que vive com o artista Otto, mas é igualmente atraída pelo dramaturgo Leo. Os dois homens, claramente, terão também desfrutado de uma intimidade apaixonada que antecede Gilda. À medida que a acção se move para Londres e Nova Iorque e que as personagens ascendem no mundo, as permutas e combinações sexuais intensificam-se, perante a crescente reprovação de Ernest, negociante de arte e amigo do trio.
É perfeitamente possível ver a peça como uma apologia, por parte de Coward, da privilegiada amoralidade do artista e um ataque ao conservadorismo burguês.
Mas a produção de Page mostra algo mais complexo. Para começar, Gilda não é uma mera femme fatale, mas antes uma mulher selvagem, inquieta e infeliz que se sente marginalizada pela sua falta de sucesso material e por ser uma forasteira sexual num mundo de afecto masculino. O que mostra, com grande élan, é a crescente independência de Gilda e a constatação de que é apenas quando o trio enfrenta a verdade sobre si próprio que Gilda pode ser uma igual.
Leo, uma criança demasiado crescida e dada a birras. As palavras tropeçam da sua boca em torrentes quando a sua vontade é contrariada. Otto, sugere também uma criatura requintadamente mimada que só pode existir com o apoio emocional dos outros dois.
(…)
Certa vez, sugeri que Coward era um dandy puritano com um Martini numa mão e exemplos de moralidade na outra; e esta produção perspicaz e animada sugere que pode haver mais do que um grão de verdade nessa observação.
Sinopse:
Vida de Artistas de Noël Coward
Tradução José Maria Vieira Mendes
Com Nuno Pardal, Rita Brütt, Pedro Caeiro, Américo Silva, Antónia Terrinha, Tiago Matias, Raquel Montenegro, Ana Amaral, Pedro Cruzeiro, Jefferson Oliveira
Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves
Luz Pedro Domingos
Som André Pires
Coordenação Técnica João Chicó
Assistente Nuno Gonçalo Rodrigues e Noeli Kikuchi
Encenação Jorge Silva Melo
Coprodução Artistas Unidos / SLTM / TNSJ M12
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