Por: Diário Digital Castelo Branco
O Museu Francisco Tavares Proença Júnior vai ter patente a exposição 'Mamaminha' da artista Inês Carrelhas até ao dia 15 de janeiro de 2022.
A inauguração vai decorrer no próximo dia 19 de Novembro e poderá ser visitada até 15 de janeiro de 2022.
Trata-se de uma exposição itinerante de arte têxtil "integrada num projecto mais abrangente que pretende sensibilizar o público para temáticas relacionadas com o cancro de mama" anuncia o jornal Cultura de Borla online.
O projecto 'Mamaminha' foi pensado e desenvolvido no decorrer de um processo da confirmação, integração, aceitação e cura de um cancro de mama e resulta da pesquisa feita pela artista Inês Carrelhas sobre o tema. Não é só uma exposição de arte têxtil, mas também é um trabalho de inclusão que dá oportunidade, através de uma experiência plástica, Atelier/Workshop maria.mamaminha, de um exercício de re-construção e de aceitação do corpo. Este projeto nasceu em 2018, entre os corredores do Instituto Português de Oncologia (IPO) e a Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.
A artista declara que "Comecei a forrar os aros dos soutiens, que fui pedindo por aí, enquanto esperava pelas consultas. Chamei-lhe mamaminha. Resolvi representar 75 mulheres que tinham sofrido desta doença tão comum e com isso ajudar quem tenha necessidades de apoio,dar voz a esta problemática e sobretudo alertar para a prevenção e para o diagnóstico precoce."
O Museu Francisco Tavares Proença Júnior é o 5º local que o acolhe. Tendo tido a sua primeira exibição em 2020 no MUHNAC - Museu Nacional de Hisória Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa, seguido de em 2021 no The Passenger Hostel, Estação de São Bento, no Porto e no MIAT - Museu Industrial Artesanal Têxtil, em Mira de Aire e em 2022 na Biblioteca Municipal de Portalegre.
Como projecto agregador a Inês Carrelhas pretende, em cada novo espaço, criar uma nova peça, convidar um artista local a integrar a exposição e continuar o trabalho dos ateliers maria.mamaminha. Neste caso, o artista convidado é o pintor João Gama.
A exposição 'Mamaminha', agora presente no Museu Francisco Tavares Proença Júnior é constituída por 8 instalações realizadas por Inês Carrelhas em materiais têxteis, fios, papel, compressas, gesso e arames de soutiens e duas obras do artista convidado.
O olhar sobre a situação da mulher, e principalmente sobre o seu sofrimento e isolamento está presente no inconsciente da Inês Carrelhas. Durante a permancencia desta exposição em Castelo Branco, serão agendados uma série de ateliers/workshops e conversas, onde a artista partilhará com outras mulheres, através da arte, uma experiência lúdica e emocional à volta do seu próprio corpo. Os ateliers/workshops maria.mamaminha são dirigidos a mulheres ou homens que tenham sofrido de cancro da mama. Têm a duração de 6 a 9 horas, divididos em 2 ou 3 dias com horários flexíveis dentro do horário do museu em datas a agendar.
INÊS CARRELHAS
(Lisboa, 1964, vive e trabalha em Lisboa)
Começou na área da tapeçaria em 1980 no atelier de Maria Flávia de Monsaraz e em 1982 entra para o curso de artes dos tecidos na Escola Secundária António Arroio. Em 1987 tem a sua primeira experiência na área do restauro de tapeçaria antiga no ateliê de Gisella Santi e em 1988 integra o Grupo 3.4.5. Associação de Tapeçaria Contemporânea Portuguesa.
Em 1988 tira o curso de formadora do IFP e dá formação de 1989 a 2000. Desde 1996 é responsável pelo seu ateliê de tapeçaria e restauro de tapetes orientais em Lisboa. Na década de 1990 deu aulas no Ensino Secundário – Trabalhos Oficinas/Têxteis.
Em 2016 participa nas conferências A Palavra Têxtil no museu da tapeçaria Guy Fino em Portalegre e de 2016 a 2019 frequentou e foi avaliada nas unidades curriculares de Tapeçaria e de Estética na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL).
De momento, desenvolve o seu projeto mamaminha, realizada pela primeira vez no Museu Nacional de História Natural e da Ciência de Lisboa e depois apresentada nos seguintes locais: Torre do relógio da Estação de São Bento - The Passanger Hoste- Porto; MIAT – Museu Industrial e Artesanal do Têxtil, Mira D ́Aire e Biblioteca Municipal de Portalegre. Continua a conceber e orientar oficinas de macramé, tapeçaria, tecelagem e restauro de tapetes orientais.
Tem participado em várias exposições de Tapeçaria, individuais e colectivas desde a década de 80, em Portugal e no estrangeiro, com destaque para as exposições com o grupo 3.4.5. e Navegação Algas e Paisagens no Instituto Camões, Brasília, no Museu de Arte da Bahia, Salvador, na Galeria Hebraica, São Paulo e no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, Rio de janeiro, Brasil.
“A Inês Carrelhas (Lisboa, 1964), através do projeto mamaminha, dá continuidade a uma longa pesquisa iniciada enquanto aluna do Curso Desenho Têxtil da Escola de Artes Decorativas António Arroio (1982-1986) - onde lecionaram professores como a Maria Conceição Salgado (1929-2014), a Teresa Raposo, a Rafaela Zuquete, a Nazaré Ferreira, a Gisella Santi (1922-2006) e a Helena Estanqueiro, cuja matriz imagética era bauhausiana, e que a sensibilizaram para o significado e a importância da especificidade da linguagem da tecelagem e da tapeçaria.
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