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Cultura 11 de março de 2024

Castelo Branco: Antologia Poética patente no Museu Tavares Proença Júnior

Por: Diário Digital Castelo Branco

A antologia poética Tarde Azul Poemas de Amor de Saúl Dias Desenhos de Julio, organizada pela crítica de arte (AICA) e poeta Maria João Fernandes e pelo poeta Gonçalo Salvado vai ser apresentada pelos autores, na próxima 5ªfeira, 14 de Março às 17:00 horas, no Museu Tavares Proença Júnior, em Castelo Branco. 

A exposição, que vai patente até 7 de Abril, é uma iniciativa da Câmara Municipal albicastrense em colaboração com a Casa da Memória da Câmara Municipal de Vila do Conde, detentora do espólio do artista.

Abrirá a sessão o momento musical, inédito, da interpretação da poesia de Saúl Dias pelo Mestre da Guitarra Portuguesa Custódio Castelo e pela Fadista Ana Paula Martins, evocando a importância do Fado e da Guitarra portuguesa na obra de Julio/Saúl Dias.

Seguir-se-á a apresentação da antologia pelos seus autores, Maria João Fernandes e Gonçalo Salvado.

Um recital de poesia de Saúl Dias pelos alunos da Escola Secundária Nuno Álvares fechará a sessão.

A antologia que reúne os mais significativos poemas de amor de Saúl Dias e alguns dos mais belos desenhos de Julio, a primeira e única editada até à data sobre este nome cimeiro da arte e da poesia portuguesas, deu o título e esteve na génese da referida exposição comissariada por Maria João Fernandes e Gonçalo Salvado e pretende lembrar e dar a conhecer “um dos mais puros líricos da moderna poesia portuguesa” (Guilherme de Castilho). Uma poesia que segundo Jorge de Sena é “uma das mais notáveis das que apareceram sob a égide da revista Presença” e que se caracteriza “por uma delicadeza de expressão que leva a uma depuração excecional, uma linha poética que vem diretamente de Camilo Pessanha. (“Saúl Dias”, Líricas Portuguesas).   

A poesia de Saúl Dias e o desenho de Julio, representam neste livro as duas faces de um mesmo universo amoroso e ao mesmo tempo inserem-se numa vasta tradição portuguesa e europeia, a do diálogo entre poesia e visualidade com expressão nos principais movimentos culturais do século XX português passando pela revista “Presença” e pelo Surrealismo de que Julio foi precursor e intérprete.

Do texto introdutório de Maria João Fernandes salientamos: “Da realidade a grande poesia extrai naturalmente a seiva do arquétipo e deslumbram-nos a sua respiração e o seu brilho. A tarde azul cristaliza as formas íntimas do éden numa primavera fugaz que o milagre da poesia faz eterna. Na obra poética de Julio/Saúl Dias procurámos a vibração uníssona com os arquétipos de uma simplicidade mágica e amorosa que floresce apenas ao sol e à luz do amor. Diálogo da palavra e do arabesco, expressão alquímica de mágica síntese, a obra de Julio/Saúl Dias apresenta-se hoje, uma vez mais, como a resposta do sonho, alternativa aos erros da civilização, para ser vivida e amada, como só os grandes criadores, e raros o foram ou o são, nos oferecem. Primavera da alma, florescendo ainda, sempre, sem perder nada do seu perfume e da sua intocada luz.” 

Gonçalo Salvado por sua vez refere na sua nota de abertura: “Com a presente recolha de poemas de índole amorosa de Saúl Dias e de desenhos e aguarelas de Julio, pretendemos tornar mais visíveis, depurando-as, as linhas de força da sua essencialidade, um amor nunca totalmente carnal, mas orientado para a transcendência, marca fundamental do lirismo português com raízes profundamente platónicas e bíblicas. (…) Procurámos ir ao encontro do que nos parece ser a oculta narratividade latente no conjunto da obra poética de Julio/Saúl Dias realçando as personagens centrais de uma história de amor presente também na pintura. Numa incessante busca do amor em que se diluem os contornos entre o sonho e a realidade, eterno reflorescer do intensamente do vivido que a tarde azul representa.”

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