Por: Diario Digital Castelo Branco
O antigo ministro das Finanças Luís Campos e Cunha diz esperar que este Governo não caia. Em enterevista ao jornal i, o economista defende ainda que os votos em branco deviam estar representados no Parlamento por lugares vazios e aproveita para culpar mais uma vez José Sócrates pelo estado a que chegou o país.
O antigo ministro das Finanças Luís Campos e Cunha diz esperar que este Governo não caia. Em enterevista ao jornal i, o economista defende ainda que os votos em branco deviam estar representados no Parlamento por lugares vazios e aproveita para culpar mais uma vez José Sócrates pelo estado a que chegou o país.
Questionado sobre se deveria haver uma remodelação no Executivo ou se este já não terá condições para continuar, Campos e Cunha admite a necessidade de mexidas no elenco governamental, considerando que «algumas pessoas poderão ter revelado imaturidade em termos vivenciais e existenciais, o que as levou a ter atitudes precipitadas em determinadas decisões. Não estou a falar de ninguém em particular, mas um face-lifting poderia ajudar». Já sobre a hipótese de queda do Governo, o economista afirma «eu espero que o governo não caia, por uma razão muito simples: este governo tem obrigação de governar. Foi eleito, tem um programa, o país está numa situação dramática e esta coligação tem a obrigação de conduzir os negócios do país. Nesse sentido, espero que o governo não caia».
O ex-governante critica ainda a forma como foi feito o grande corte da despesa este ano, considerando que «foi fundamentalmente – dois terços – baseado no corte do 13º e do 14º mês, corte a pensionistas e a funcionários públicos, que são, matemática e economicamente, o mesmo que ter um imposto especial, e portanto injusto para funcionários e mais injusto ainda para pensionistas».
Campos e Cunha critica as alterações nas pensões, explicando que isso «cria uma incerteza brutal a todas as famílias, todas as pessoas que têm hoje 40, 45, 50 anos, que começam a ter dúvidas sobre qual será o seu futuro daqui a 20 anos. E nessa altura arriscarão menos, têm medo, têm receio, e isso não só lhes causa mal-estar como certamente tem consequências económicas, porque deixam de consumir e deixam de investir».
A solução que defende para a redução da despesa pública de forma rápida passa por «reduzir as despesas do Estado é fazer uma espécie de PRACE [Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado] a sério». «Porque as gorduras não estão nas chefias, não estão nos directores-gerais, o desperdício está cá em baixo. E está desigualmente distribuído, ou seja, há repartições muito bem geridas e com bons chefes e há divisões onde isso não acontece, pelo contrário». «Deveríamos, além disso, ter uma discussão séria sobre as funções do Estado, sem as quais navegamos sem estratégia», acrescenta.
«Uma sociedade dominada pelo medo não investe, não aposta. Há sociedades que são dominadas pela esperança», sublinha.
O antigo ministro de Sócrates manifesta-se também contra a proposta – entretanto abandonada – de alterações na Taxa Social Única (TSU). «Eu, como economista, como cidadão, sou totalmente contra as alterações à TSU tal qual foram anunciadas».
Para estimular a economia, Campos e Cunha defende «que o Estado devia pagar a tempo e horas». «Pagando tarde e a más horas o Estado está a financiar-se à custa das empresas – devia ser o contrário».
Sobre a falta de medidas de estímulo ao crescimento, Campos e Cunha aproveita para criticar José Sócrates. «Na situação orçamental que temos não há qualquer hipótese de haver estímulos à economia que de alguma forma impliquem aumentos de despesa ou diminuição de receita. Não pode ser. Infelizmente é assim porque o Estado foi à falência com base nas políticas seguidas, em particular desde 2008, pelo engenheiro Sócrates. E não esqueço quem nos levou à bancarrota».
Por fim, o ex-ministro defende uma posição pouco ortodoxa sobre a representatividade no Parlamento. «Os votos em branco – e não as abstenções – deviam estar representados no parlamento por lugares vazios. Tinha duas vantagens. A primeira era trazer pessoas que não votam para dentro do sistema (...) Em segundolugar , levaria a que os partidos competissem entre eles, mas também que ganhassem confiança do seu eleitorado».
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