Economia

Celtejo acusa inspeção de “incompetência” na recolha das amostras e diz-se penalizada

Diario Digital Castelo Branco/Lusa | 2018-02-10 08:10:00

 A Celtejo acusou a Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território de "incompetência" na recolha das amostras nos coletores da empresa e vincou que a situação "é profundamente penalizadora".

Fonte da Celtejo, fábrica de pasta de papel da Altri, em Vila Velha de Ródão, disse à agência Lusa não compreender o atraso na recolha das amostras por parte da Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT).

A empresa adiantou que as amostras sempre foram recolhidas normalmente e que outras autoridades o fizeram em simultâneo sem que tenha havido qualquer problema.

"Mas essa é uma questão que só o IGAMAOT pode explicar, uma vez que os seus técnicos não conseguiram realizar a recolha, ao contrário do que aconteceu com os coletores da Celtejo e da Administração da Região Hidrográfica (ARH) que funcionaram normalmente", frisou.

A recolha de amostras na Celtejo só foi possível à quarta tentativa e com o recurso a três inspetores em permanência durante 24 horas, disse na segunda-feira o inspetor-geral da IGAMAOT, Nuno Banza, numa conferência de imprensa de apresentação dos resultados das análises efetuadas aos efluentes das ETAR urbanas e industriais descarregados no rio Tejo.

"A recolha de amostras na indústria Celtejo teve por duas vezes problemas ao nível do coletor automático que não recolheu o líquido por razões que desconhecemos. Na terceira tentativa, pedimos o apoio da GNR, do Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente e esse coletor foi guardado. Durante 24 horas o coletor funcionou, no entanto, apenas recolheu no final alguma espuma e muito pouco líquido", declarou Nuno Banza.

Fonte da fábrica de Vila Velha de Ródão afirmou à Lusa que "a incompetência na recolha, mesmo com a presença das autoridades em permanência no local, é profundamente penalizadora para a Celtejo"

Na terça-feira, o proTejo-Movimento pelo Tejo acusou também a IGAMAOT de "incompetência" na recolha de amostras na sequência do episódio de poluição registada no rio.

O Ministério Público notificou a Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território de que os elementos recolhidos no âmbito do inquérito sobre a poluição no Tejo estão em Segredo de Justiça.

Em nota, a IGAMAOT explica que recebeu uma notificação do Departamento de Investigação e Ação Penal de Castelo Branco sobre o inquérito por crime de poluição no rio Tejo.


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