Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
A Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública (FNSFP) considerou que "a elevada adesão" que a greve registou mostra que "os trabalhadores do Instituto da Segurança Social (ISS) manifestaram o seu profundo descontentamento pelas condições de trabalho a que estão sujeitos".
Mas o ISS referiu uma adesão de 6,49 por cento, o que corresponde a 757 trabalhadores, de um total de 11.657.
"A greve levou ao encerramento de 24 serviços de atendimento, de um total de 344", disse à agência Lusa Nogueira de Lemos, vogal do conselho diretivo do IPP, responsável pelos recursos humanos.
A FNSFP, disse numa nota de imprensa emitida ao final da tarde, que a paralisação levou ao encerramento de serviços por todo o país, sobretudo de atendimento ao público, como os balcões da Alameda, Saldanha, Centro Nacional de Pensões, Areeiro, Almada, Barreiro e Matosinhos.
"Os trabalhadores do ISS demonstraram inequivocamente a sua vontade de lutar pelo reforço efetivo de trabalhadores e contra os elevados ritmos de trabalho que lhes são exigidos", diz o comunicado.
A Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública (filiada na CGTP) convocou a paralisação em defesa do reforço do quadro de pessoal e da aplicação do horário de trabalho contínuo e do horário flexível a todos os trabalhadores que o desejem.
A coordenadora da FNSFP, Ana Avoila, lembrou à Lusa o "elevado número de trabalhadores que saíu da Segurança Social desde que foi divulgada a alteração das regras da aposentação".
Segundo a sindicalista vive-se atualmente "uma situação extremamente complexa" nos serviços de Segurança Social devido à falta de pessoal, que decresceu de 18.000 (em 2002) para 11.000 (em 2010).
Nogueira de Lemos reconheceu que houve "uma saída significativa" de funcionários desde o início deste ano, que deverá continuar até ao final do ano, mas salientou que estão em curso 115 concursos no ISS.
Dois destes concursos são externos e vão levar à entrada de 200 funcionários para o ISS, mas "o processo de recrutamento pode demorar um ano ou mais".
Segundo Nogueira de Lemos, o ISS tinha 15.223 funcionários em 2005 e agora tem 11.657.
Relativamente aos horários de trabalho, Luís Pesca, da FNSFP, explicou à Lusa que houve uma negociação desta matéria com o Governo, mas o acordo final não foi conseguido porque os sindicatos foram confrontados com uma cláusula de adaptabilidade que não aceitaram.
"O Governo queria usar a adaptabilidade para colmatar falta de pessoal", acusou o sindicalista.
Nogueira de Lemos assegurou à Lusa que a cláusula da adaptabilidade, acordada com sindicatos da UGT, ainda não foi usada no ISS que a considera "importante para as situaçõe de picos de trabalho.
A Frente sindical da Administração Pública (FESAP) chegou a acordo com o Governo e os seus associados podem optar por ter horário contínuo ou flexível, o que não acontece com os associados nos sindicatos da CGTP.
Segundo Luís Pesca, os sindicatos da Federação da Função Pública representam quase 6.000 trabalhadores da segurança social, o que corresponde à maioria dos sindicalizados.
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