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País 6 de julho de 2010

PT/Vivo: PM não precisa de “parábolas” para dizer que discorda do líder do PSD – Passos Coelho

Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa

O presidente do PSD afirmou hoje que o primeiro ministro não precisa de usar “parábolas” para dizer que discorda da sua posição relativamente à operação PT-Vivo, insistindo que o uso da ‘golden share’ dá má imagem de Portugal.

 

O presidente do PSD afirmou hoje que o primeiro ministro não precisa de usar “parábolas” para dizer que discorda da sua posição relativamente à operação PT-Vivo, insistindo que o uso da ‘golden share’ dá má imagem de Portugal.

Pedro Passos Coelho respondeu assim quando instado pelos jornalistas em Madrid a comentar declarações de José Sócrates que hoje considerou haver, em Portugal, quem queira “apostar na tripla”, numa referência implícita sobre a postura do PSD nesta matéria.

“Se o primeiro ministro discorda da minha posição pode referi-la diretamente, não precisa de fazer parábolas para dizer que discorda do presidente do PSD. O presidente do PSD discorda do primeiro ministro nesta matéria porque sempre assumiu que seria mau para Portugal que Portugal fosse visto com um país que protege excessivamente a economia”, afirmou.

“Precisamos de reformar o mercado para não ter um mercado em Portugal tão protegido como temos. Isso faz mal à economia, faz mal aos investidores e aos portugueses, que tem que pagar mais caro o que poderiam pagar mais barato se tivessem mais concorrência”, considerou.

Passos Coelho - que hoje discutiu o tema durante a reunião de uma hora que manteve com o líder do Partido Popular (PP) espanhol, Mariano Rajoy - considerou que sempre considerou que a participação da PT na Vivo era importante.

Mas relembrou que a decisão de vender essa participação foi tomada pelos acionistas, “maioritariamente portugueses” e que “o que Estado português fez foi impedir que essa decisão dos acionistas fosse para a frente”.

“Já assumi antes mesmo de ser eleito que não era favorável à existência de ‘golden share’, na PT ou noutras empresas. Se estivesse no Governo não acionaria um mecanismo com o qual não concordo”, afirmou.

“Era útil que a participação permanecesse na Vivo. Mas a PT não é uma empresa pública e não é o Governo que deve mandar na PT. São os acionistas. Quando o Estado quiser numa empresa portuguesa decidir o que é estratégico nessa empresa, detém a maioria do capital dessa empresa”, afirmou.

“Se o Estado quiser mandar na PT, na Galp, ou na EDP, deve ter mais de 50 por cento do capital e aí decide como acionista. Se decidiu privatizar a PT, e foi um governo socialista que o fez, do nosso ponto de vista não deve ficar com ‘golden shares’”, comentou.

Para Passos Coelho a decisão do Governo nesta matéria “criou um problema” e agora há que esperar para ver “como o Governo entende resolver esse problema”.

O líder do PSD considerou que o tema “não tem quer dividir” Portugal e Espanha, relembrando que o investimento conjunto da PT e da Telefónica no Brasil, através da Vivo, “foi muito positivo”.

Questionado sobre o facto da vice-presidente do PSD, Paula Teixeira da Cruz, ter considerado que o Governo atuou bem no caso da PT e da Vivo, Passos Coelho afirmou que o seu partido “respeita as opiniões diferentes”.

“O PSD não uma ditadura de pensamento. É verdade que na minha própria equipa a doutora Paula Teixeira da Cruz expressou um pensamento diferente. Eu respeito esse pensamento, mas a doutora Paula Teixeira da Cruz não é presidente da comissão politica nacional do PSD e eu quando fui eleito anunciei claramente qual era o entendimento que tinha sobre a ‘golden share’”, afirmou.

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