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Região 16 de julho de 2010

Justiça/Castelo Branco: Médicos acusados de homicídio por negligência conhecem hoje sentença

Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa

O Tribunal de Castelo Branco profere hoje a sentença do julgamento de dois médicos acusados da autoria material, de forma consumada, de homicídio por negligência grosseira. O Tribunal de Castelo Branco profere hoje a sentença do julgamento de dois médicos acusados da autoria material, de forma consumada, de homicídio por negligência grosseira.

Nas alegações finais, o Ministério Público, advogados de defesa e das seguradoras pediram a absolvição dos dois clínicos, que começaram a ser julgados a 8 de abril deste ano.

Só Raul Leitão, advogado da assistente do processo, viúva da vítima, pediu a condenação, mas não escondeu que teme que “a absolvição vá prevalecer, pelo que, se assim for, o caminho a seguir será o do recurso à Relação”.

O ortopedista João Leiria e o assistente de cirurgia João Magro foram acusados pelo Ministério Público de “não terem atuado devidamente, pois pelo seu conhecimento podiam ter evitado, ou reduzido, o risco de uma septicemia”, uma infeção grave que acabou, segundo o relatório da autópsia, por ser a provável causa da morte de um homem de 35 anos.

O caso remonta a 30 de julho de 2002, quando João Pereira Paulo entrou no Serviço de Urgência do Hospital Amato Lusitano, em Castelo Branco, apresentando uma dor na coxa da perna direita.

Segundo o despacho de pronúncia, foi observado, medicado com anti-inflamatórios e foi para casa, com aconselhamento de repouso.

Voltou a 31 de julho e a 1 de agosto, dia em que foi observado pelo ortopedista João Leiria, a quem terá dito que “deu um jeito” na perna ao descer de um banco.

A 2 de agosto voltou e, apesar de já ter sido rendido no turno (20:00), João Leiria esperou para o observar. Pediu opinião de outros colegas, entre eles o outro arguido, João Magro, que terão aventado várias hipóteses, nomeadamente a de trombose venosa profunda ou síndrome compartimental e encaminharam-no para Coimbra, onde podiam ser despistadas estas situações, no Serviço de Cirurgia Vascular (que não existia em Castelo Branco).

João Leiria não teve mais contacto com o doente e “só soube que ele morreu quase um ano depois, quando chamado para responder perante a Direcção Geral da Saúde”.

João Magro voltou a vê-lo, cerca das 06:00 do dia 3 de agosto, já de regresso dos HUC, mas como “não havia nada de grave a registar”, providenciou o internamento, como estava indicado por Coimbra. Saiu de serviço e “só soube na segunda feira seguinte da morte” de João Pereira Paulo.

De acordo com o processo, às 17:00 desse dia o doente estava estável, mas à meia noite e meia entrou “em choque”. Foi transferido para o Centro Hospitalar da Cova da Beira, na Covilhã, por ser o único com vaga nos Cuidados Intensivos, onde ficou até cerca das 09:30, altura em que foi decidida uma intervenção cirúrgica, “ou para descompressão inferior, ou para amputação do membro”, mas acabou por morrer no Bloco Operatório, cerca das 10:00 do dia 4 de agosto.

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