Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
Os sindicatos e a administração da multinacional de fabrico de cablagens para a indústria automóvel concluíram hoje as negociações, tendo ficado acordado que a unidade fecha as portas no dia 31 de dezembro.
No final de uma reunião com a direção e de um plenário com trabalhadores, Adelino Nunes, dirigente do Sindicato das Indústrias Transformadoras e da Energia (SITE), deu a conhecer a conclusão das negociações e o valor final da indemnização.
Adelino Nunes referiu que durante o plenário “a grande maioria” dos operários “votou favoravelmente o protocolo celebrado entre ambas as partes, apesar da tentativa de obtenção de um valor indemnizatório mais elevado.
“Foi o valor a que foi possível chegar”, disse Adelino Nunes aos jornalistas, recordando que fica ao nível do valor pago nos “despedimentos coletivos anteriores”.
Já o sindicalista Ricardo Afonso, do Sindicato Nacional da Indústria e Energia (SINDEL) disse à Lusa que o acordo desejado pelos sindicatos deveria ter sido “um bocadinho acima” daquele que ficou decidido.
“Os trabalhadores estavam com dois cenários: ou aceitavam este acordo de dois salários por cada ano de trabalho, ou [a administração] remetia para a lei, que era um salário”, explicou.
O dirigente do SINDEL disse que os sindicatos defendiam “que a indemnização devia compensar estes trabalhadores para a longa travessia do deserto que vão fazer à procura do seu [novo] emprego” mas, tendo em conta a proposta da empresa, “foi o acordo possível”.
O responsável considerou que os futuros desempregados “mostraram maturidade e pensaram bem nas consequências” da implicação da rejeição do protocolo com a empresa.
Quanto à eventual transferência de alguns operários da fábrica da Guarda para a de Castelo Branco, como foi proposto pela direção da Delphi, os sindicatos indicaram que não serão pagos valores adicionais, daí que não haja interessados nessa possibilidade.
À saída do turno da tarde, após a decisão ter sido tomada, a operária Olga Santos, de 31 anos, com 12 anos de casa, disse à Lusa que já esperava a decisão “porque os colegas [despedidos anteriormente] já tinham levado dois meses” de indemnização por cada ano de trabalho e “já não havia nada a fazer”.
“Alguns colegas ainda tinham esperança mas eu não. Merecíamos mais, porque nos disseram que a fábrica não era para encerrar”, concluiu a operária, que se mostra preocupada com o futuro.
Receba as principais notícias no seu email e fique sempre informado.
© 2026 Diário Digital Castelo Branco. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Albinet