Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
“As câmaras estão já a fazer um esforço enorme e uma das coisas em que podem poupar - e isto está hoje relativamente assente - é deixarem de fazer alguns investimentos materiais, para se dedicarem à proteção social”, disse Fernando Ruas, presidente da ANMP, realçando que “o próximo ano vai ser muito complicado em primeiro para os cidadãos e também para quem gere os orçamentos municipais”.
O autarca destacou ainda que neste momento está a verificar-se “uma dificuldade enorme de acesso dos municípios ao crédito bancário”, o que complica a realização pelas câmaras de obras apoiadas pelo Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).
“Há municípios que têm direito ao complemento para fazer obras do QREN e não conseguem o crédito, porque os bancos nem sequer respondem às candidaturas de crédito. O que significa que, se isto continuar, vamos ter de devolver dinheiro a Bruxelas, que nos faria muita falta”, salientou.
Fernando Ruas criticou a “falta de inteligência” dos Governos, que “têm desaproveitado esta realidade tão próxima” das populações como são os municípios, e considerou que “quem tem limitado a ação dos municípios não percebeu muito bem” o seu valor.
Segundo o Orçamento do Estado para 2011 (OE2011), as transferências para a Administração Local vão sofrer um corte de 5,7 por cento no próximo ano, enquanto as regiões autónomas vão receber menos 2,7 por cento.
As transferências para a Administração Local, incluídas na despesa total consolidada dos encargos gerais do Estado, ascendem a 2 254,5 milhões de euros, menos 136,8 milhões do que a estimativa para a execução para este ano (2 391 milhões).
O total de transferências do Estado para os municípios em 2011 será de 2 397, 8 milhões, uma quantia que representa o somatório das verbas recebidas através do Fundo de Equilíbrio Financeiro (FEF), do Fundo Social Municipal (relativo às despesas com transferência de competências pela administração central) e que inclui também os cinco por cento de IRS que é devolvido às autarquias pela sua participação nos impostos do Estado.
Além deste corte previsto no OE2011, o Governo retirou aos municípios, em junho de 2010, cerca de 100 milhões de euros através do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC).
Ao nível das freguesias, o montante total transferido será de 193,6 milhões, o que traduz uma perda superior a 18 milhões, e para as regiões autónomas seguirá um total de 600 milhões de euros, menos 2,7 por cento do que a verba estimada em 2010.
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