Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
A Federação Nacional de Educação (FNE) acusa o Ministério da Educação e Ciência de promover um sistema de educação público “de mínimos”, e manifestou dúvidas quanto à existência de mil horários completos por preencher nas escolas.
A Federação Nacional de Educação (FNE) acusa o Ministério da Educação e Ciência de promover um sistema de educação público “de mínimos”, e manifestou dúvidas quanto à existência de mil horários completos por preencher nas escolas.
Em reação às listas de colocações de professores nas escolas divulgadas na quinta-feira pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC), o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva, sublinhou a redução do número de professores dos quadros nas escolas, referindo que, apesar das vinculações extraordinárias no passado ano letivo, há muitos professores a passar à aposentação, o que tem repercussões, defendeu o sindicalista, na qualidade do ensino.
“O que temos de nos perguntar é se esta redução de professores corresponde, ou não, à preservação de uma resposta educativa de qualidade e com equidade, e é aqui que temos reservas”, disse.
Dias da Silva entende que a existência de menos professores com "horário-zero" (sem componente letiva atribuída) relativamente a igual período do ano passado “é uma questão menor” no quadro global, e afirmou que mais de 30 mil professores contratados, sem lugar nas escolas, “é um problema muito grave para a sociedade”.
“O sistema de ensino não acolhe mais de 30 mil pessoas, que receberam qualificação para serem professores, e que não o serão tão cedo”, declarou, frisando que é agora responsabilidade do Estado e da sociedade garantir formação extra que permita a sua integração no mercado de trabalho.
“As escolas recebem indicações de limitarem as suas necessidades ao que é estritamente indispensável e mínimo. Esta é a diferença enorme que nos separa daquilo que é a perspetiva do MEC, que quer um sistema de ensino de mínimos, e nós queremos um sistema educativo público que promove os máximos, no sucesso e conhecimentos”, afirmou o secretário-geral da FNE.
João Dias da Silva disse ainda ter “reservas” quanto aos mil horários completos indicados pelo ministro da Educação, na quinta-feira, como estando ainda por preencher, por falta de interesse dos professores.
O sindicalista, apesar de ressalvar que não tem ainda elementos para contrariar esses dados, acredita que os horários por preencher serão sobretudo incompletos e temporários.
Depois de o ministro da Educação ter afirmado já hoje que o ano letivo “arrancou a 99%”, desvalorizando críticas de professores e protestos dos pais, Dias da Silva foi menos entusiasta relativamente ao arranque do ano escolar, dizendo que “a normalidade é haver problemas na abertura do ano letivo”.
“Fazer uma leitura de que tudo está bem é uma leitura apressada e otimista”, acrescentou.
O secretário-geral da FNE elogiou o trabalho das direções das escolas para permitir uma abertura de ano o mais tranquila possível, mas assinalou “problemas pontuais, para os quais o MEC continua a não dar resposta”, como alunos ainda sem professores.
“Este atraso na colocação de professores contratados para nós é um desrespeito pelas pessoas. Achamos que devem conhecer cedo as escolas onde vão trabalhar. Esta lógica de afetação de recursos às escolas continua errada, não faz sentido que os contratados continuem a ser colocados quando as atividades com os alunos já estão a começar”, criticou Dias da Silva, depois de Nuno Crato, na quinta-feira, em entrevista à estação de televisão SIC, ter rejeitado qualquer atraso na colocação de docentes.
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