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País 11 de março de 2011

Protesto/crise: "Geração à rasca" enche a avenida da Liberdade até ao Rossio

Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa

 A manifestação do movimento “Geração à rasca”, convocada a partir de redes sociais, encheu hoje a avenida da Liberdade, teve muitos jovens, poucos políticos, organização caótica e movimentos totalmente heterogéneos, desde neo-nazis aos defensores dos direitos homossexuais.

No Rossio, a partir de uma carrinha, uma rapariga pegou no megafone para transmitir um número megalómano sobre a adesão ao protesto de Lisboa: falou em 200 mil pessoas.

Muito longe desse número, a verdade é que esta foi uma das manifestações em que foi mais difícil estimar-se quantas dezenas de milhares nela participaram, porque às 15:00 horas (a hora marcada para o seu início) e no local da concentração (Cinema São Jorge) não estariam mais de duas mil pessoas.

Mas foi um grande engano, porque, trinta minutos depois, dos dois extremos da avenida da Liberdade, começaram a chegar milhares e milhares de jovens, além dos muitos cidadãos que se deslocaram a esta zona central de Lisboa para assistir ao desenrolar do protesto e assim manifestarem a sua solidariedade com os mais novos.

Bastava um rápido olhar pelas primeiras dez filas da manifestação para se perceber que ali havia de tudo: um ou outro jovem capa e batina ao lado de outros com lenços palestinianos; ativistas pelos direitos dos homossexuais não muito longe de cabeças rapadas com camisolas pretas e símbolos nazis.

Este último grupo, intitulado “movimento nacionalista”, foi de resto responsável por momentos de tensão, designadamente logo à sua chegada, quando se tentou colocar na primeira fila da manifestação. Alguém com um megafone em punho, também ali nas primeiras filas da manifestação, deu um recado aos camisolas negras: “Senhores nacionalistas venham para trás para não se aleijarem”.

Outra originalidade desta “manif” é que não houve quase organização. Desceu-se até ao Rossio, mas ninguém sabia bem onde o protesto acabava.

Os “slogan” e as palavras de ordem também variaram muito, tendo em comum apenas um ponto: A crítica à política do Governo.

“PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento) para quê se quem nos rouba nem nos vê”; “País precário saiu do armário”; “Chega, basta de viver à rasca”; “Sócrates e Governo, vamos corrê-los a pontapé”.

Pela avenida da Liberdade abaixo, até ao Rossio, o piso começou a ficar cheio de copos de plástico de cerveja. Aqui e ali, sentia-se o cheiro a charro, não importando nada se por perto estivesses adultos ou até polícias.

Jovens deputados do Bloco de Esquerda e do PCP, ex-candidatos presidenciais José Manuel Coelho e Garcia Pereira, dirigentes da Juventude Social Democrata, assim como sindicalistas da CGTP-IN, andaram pelo protesto, mas estiveram longe de ocupar o palco, que desta vez pertenceu só aos jovens espontâneos.

Apesar da imensa confusão gerada por milhares de jovens em protesto, até ao final da tarde, ainda não se tinham registado incidentes de relevo.

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