Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
Segundo António Ezequiel, a sua empresa tem uma frota de 40 viaturas a percorrer diariamente as autoestradas A23 (Guarda-Torres Novas) e A25 (Aveiro-Vilar Formoso), totalizando um milhão de quilómetros por ano.
A empresa de distribuição alimentar António Ezequiel, na Covilhã, vai despedir 25 pessoas e abrir uma filial em Lisboa, para “enfrentar os custos acrescidos com portagens nas autoestradas do interior do país”, disse o proprietário à agência Lusa.Segundo António Ezequiel, a sua empresa tem uma frota de 40 viaturas a percorrer diariamente as autoestradas A23 (Guarda-Torres Novas) e A25 (Aveiro-Vilar Formoso), totalizando um milhão de quilómetros por ano.
Contas feitas, as portagens serão uma despesa acrescida de 120 mil euros por ano, ou seja, “um aumento de 24 por cento dos custos da empresa” na rubrica de fornecimentos e serviços externos.
Para o proprietário, “é um aumento dramático que vai obrigar a despedir metade dos trabalhadores, 25 pessoas, e a abrir uma delegação em Lisboa” para evitar percorrer tantos quilómetros por autoestrada.
O empresário refere que “não há estradas antigas que sirvam de alternativa, devido à sobreposição de traçados com as autoestradas” e porque “são vias que não têm capacidade para o atual tráfego de pesados”.
A empresa de distribuição alimentar António Ezequiel faz parte do grupo de 542 dos distritos de Viseu, Guarda e Castelo Branco que responderam a um questionário sobre a introdução de portagens.
Luís Veiga, gestor hoteleiro e porta-voz do movimento Empresários pela Subsistência do Interior (ESI), alerta para o facto de outras empresas “seguirem os passos” da António Ezequiel, segundo as respostas ao questionário.
Um terço delas prevê desinvestir e fazer despedimentos com a justificação da criação de portagens.
O questionário foi promovido pelo movimento Empresários Pela Subsistência do Interior e chega a extrapolar um cenário dramático a médio prazo, com perda de 17.100 empregos e fecho de 6.800 empresas.
Para Luís Veiga, as respostas “antecipam a ruína” e deviam bastar para “os decisores políticos recuarem na decisão de cobrança de portagens, que já todos reconheceram ser precipitada”.
Aquele responsável compara a A25 e a A23 ao eixo Norte-Sul que atravessa o interior de Lisboa, considerando-as “estruturais para a vida diária entre Viseu, Guarda, Covilhã e Castelo Branco. Temos o direito ao nosso eixo Norte-Sul”.
O Movimento Empresários Pela Subsistência do Interior e a Comissão de Utentes das A23, A24 e A25 marcaram para 03 de abril, às 16:00, na Praça do Município da Covilhã, uma ação de protesto conjunta contra as portagens.
O movimento vai ainda juntar-se à Comurbeiras - Comunidade Urbana das Beiras na providência cautelar e na queixa ao Tribunal Europeu que pretendem travar a cobrança de portagens nas autoestradas do interior do país prevista para 15 de abril.
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