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Região 29 de maio de 2011

Eleições: Poucos faltam "no dia de ir deitar" na freguesia com menor abstenção do país

Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa

Na aldeia de xisto da Isna não há rua em que não se coza pão, não há casal que não tenha uma horta, nunca houve rede de telemóveis e só não se vota em caso de doença ou ausência.

A freguesia do concelho de Oleiros, no distrito de Castelo Branco, foi a que registou a mais baixa taxa de abstenção nas eleições legislativas de 2009: 12,64 por cento.

Na aldeia de xisto da Isna não há rua em que não se coza pão, não há casal que não tenha uma horta, nunca houve rede de telemóveis e só não se vota em caso de doença ou ausência.

A freguesia do concelho de Oleiros, no distrito de Castelo Branco, foi a que registou a mais baixa taxa de abstenção nas eleições legislativas de 2009: 12,64 por cento.

Para os quase 270 eleitores (menos 100 que em 1975) votar é um hábito tão instintivo como respirar.

O dia das eleições é “o dia de ir deitar”, expressão ouvida em toda a aldeia e que quer dizer, “deitar o voto na urna”, explica Maria Bártolo, que atravessa a rua carregada de couves da horta.

A eleitora de 74 anos garante que nunca lhe passou pela cabeça não votar e descreve o hábito de maneira simples: “a gente deitar vai sempre deitar, porque não há mal nenhum e é um dever”.

Maria Cardoso, 76 anos, acrescenta que é importante votar “para decidir”: afinal, “se não deitasse em ninguém, como é que era”, questiona.

Assim sempre há esperança em que “os do poder façam as coisas bem feitas” e além do mais “é um dever”, justifica Maria Gonçalves, de 61 anos, enquanto tira do forno o pão que amassou ao princípio da manhã.

A regra de cumprir o dever cívico conta com a dedicação de Américo Ribeiro, presidente da junta, que conhece todos os eleitores e empenha-se sempre para que todos votem.

Quer que escolham, “seja qual for o partido”, pois apesar de hoje militar no PSD, já ganhou a junta com o apoio de diferentes forças.

Sempre que se aproximam eleições, lança o apelo “para todos votarem, senão não podem criticar”, conta à Agência Lusa. E no dia de ir às urnas, a viatura pessoal do autarca, da junta ou até da câmara ajudam a transportar residentes de povoações ainda mais remotas até à única mesa de voto da freguesia, no centro da Isna.

Américo Ribeiro acredita que “a resposta pronta aos pedidos da população, nos problemas do dia a dia, tanto por parte da junta como da câmara”, incentiva os eleitores a votar, porque acreditam nos seus políticos, neste caso, nos autarcas.

Não se espanta, por isso, com o facto de a freguesia dar sempre vitória ao PSD nas legislativas, seguindo a cor da câmara, onde o partido é poder desde 1975.

Na freguesia de Isna de Oleiros vivem cerca de 400 pessoas que só há poucos anos passaram a ter boas estradas a ligá-las ao mundo e onde predomina a atividade agrícola e florestal.

Pelas contas do presidente da junta, ainda há 10 jovens solteiros na freguesia, que trabalham em fábricas e serviços públicos na sede de concelho, onde passou a funcionar o ensino básico.

Mas na hora de cumprir o dever cívico, ainda são os eleitores da Isna que dão lições.

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