Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
O encerramento do aeródromo da Covilhã para instalação de um centro de dados (data center) da Portugal Telecom é contestado por alguns pilotos, professores e alunos de Engenharia Aeronáutica da Universidade da Beira Interior (UBI). Entretanto, o presidente da Câmara de Castelo Branco, Joaquim Morão, já anunciou que tem financiamento garantido para construir um novo aeródromo na capital de distrito.
O encerramento do aeródromo da Covilhã para instalação de um centro de dados (data center) da Portugal Telecom é contestado por alguns pilotos, professores e alunos de Engenharia Aeronáutica da Universidade da Beira Interior (UBI).
O investimento da Portugal Telecom (PT) vai rondar 30 a 50 milhões de euros e, segundo o presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Carlos Pinto (PSD), “não há alternativa” para a construção daquela infraestrutura.
O empreendimento será um dos maiores centros de armazenamento de dados da Europa e vai apostar na exportação de capacidade de armazenamento e aplicações, anunciou a PT em fevereiro.
Um total de 1.813 pessoas já assinaram uma petição criada na Internet pelo Núcleo de Estudantes de Engenharia Aeronáutica da UBI contra o encerramento do aeródromo “que os alunos usam regularmente”, refere o documento.
Entre outras atividades, as duas pistas são palco de exercícios da Força Aérea, acolhem meios de combate a fogos e servem para testar aeronaves criadas na universidade - a única para além do Instituto Superior Técnico com formação em Aeronáutica no país.
Pedro Gamboa, presidente do Departamento de Ciências Aeroespaciais da UBI adiantou à Lusa que estão a decorrer “conversas com a PT para tentar conciliar o aeródromo e o ‘data center’” e lamenta não ter recebido “nenhum contacto da autarquia”.
O docente considera que o investimento da PT é pretexto para a Câmara aproveitar uma área maior para fins urbanísticos, desprezando “um dos melhores locais do país para planadores, voo à vela e instrução”.
A universidade, o Aeroclube da Covilhã e investidores “quiseram criar um centro de voo à vela no aeródromo há dois anos, mas a Câmara não autorizou”, lamenta, numa queixa partilhada por Júlio Diniz, diretor do Aeroclube.
A associação recebeu uma carta do município para abandonar o aeródromo até 15 de setembro, à qual vai responder que “não faz sentido que se perca esta infraestrutura”.
José Aguiar, arquiteto, piloto e instrutor de planadores, campeão nacional e em Espanha, pede “bom senso” e recomenda que, mesmo que as obras arranquem, “seja poupada a pista principal do aeródromo até que haja uma pista alternativa”, que diz custar “cerca de 200 mil euros”.
A Serra da Estrela confere à Covilhã “um microclima único para voo e instrução na Península Ibérica e na Europa, uma localização que não se pode perder e que tem todas as condições para se desenvolver”.
Contactado hoje pela agência Lusa, Carlos Pinto, presidente da Câmara da Covilhã, recusou-se a falar sobre o assunto.
No entanto, em declarações a órgãos de informação local no último mês, assegurou que “não há alternativa: a lei dos solos não permite que haja” a área necessária urbanizável para a PT se instalar, sem que isso implique “processos burocráticos que demoram anos”.
Para Carlos Pinto, “não se brinca” com o investimento “que mais de cem municípios desejavam” e acredita que até final do ano poderá ser lançado concurso para um novo aeródromo no concelho, na zona de Terlamonte.
Entretanto, o presidente da Câmara de Castelo Branco, Joaquim Morão, anunciou também em maio que tem financiamento garantido para construir um novo aeródromo na capital de distrito.
Receba as principais notícias no seu email e fique sempre informado.
© 2026 Diário Digital Castelo Branco. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Albinet