Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
O tornado que há seis meses atingiu os concelhos de Tomar, Ferreira do Zêzere e Sertã terá sido o mais intenso verificado em Portugal continental nos últimos 20 anos, disse à Lusa o meteorologista Paulo Pinto.
O tornado que há seis meses atingiu os concelhos de Tomar, Ferreira do Zêzere e Sertã terá sido o mais intenso verificado em Portugal continental nos últimos 20 anos, disse à Lusa o meteorologista Paulo Pinto.
“O tornado de Tomar, como ficou conhecido, ocorrido a 7 de dezembro do ano passado, teve uma intensidade de nível 3 na escala de Fujita melhorada (EF3) correspondendo ao nível máximo que em Portugal foi possível determinar até hoje, de forma qualificada utilizando essa escala”, disse o especialista do Instituto de Meteorologia (IM).
No entanto esta classificação só está a ser aplicada em Portugal desde 2007.
Este especialista adiantou também que só desde 2000 tem havido prática mais frequente por parte do IM em “acorrer ao local e verificar ´in loco´ a natureza e a intensidade dos danos causados para determinar a intensidade dos fenómenos”.
Apesar destas limitações, Paulo Pinto explicou: “Foi o mais intenso desde 2006/2007 com toda a certeza, e parece-nos que nos últimos 20 anos terá sido o mais intenso, no entanto como não temos uma base comparativa uniforme não é definitivo dizer isso”.
A ideia de que em Portugal têm ocorrido mais tornados poderá em parte ser explicada, de acordo com a mesma fonte, por uma “maior frequência de observação pela população”.
A predisposição à observação deste tipo de fenómenos, a maior mobilidade das pessoas, o número de vias de comunicação são razões que explicam a perceção de que possam estar a ocorrer mais tornados, quando, no entanto, eles podem estar a ser apenas mais observados e comunicados.
“Entre 1927 e 2009 ocorreram de forma inequívoca 55 tornados em Portugal continental, mas nos últimos anos temos observado mais. Grande parte dessa maior observação estará relacionada com uma maior frequência de observação pela população”, explicou.
Não há certeza, mas as alterações climáticas que Portugal também vai registando “podem conduzir a condições mais propícias para a ocorrência de tornados”.
Paulo Pinto explicou que as alterações que estão a ser avaliadas “apontam, para Portugal, uma diminuição da precipitação no inverno e eventualmente para um aumento da chamada atividade convetiva, no verão”, ou seja mais trovoadas nas estações intermédias e no verão.
“O facto de termos uma diminuição de precipitação no inverno não significa necessariamente que tenhamos menos tornados, pelo contrário até poderemos ter mais porque havendo massas de ar com bastante conteúdo em humidade e fenómenos de grande instabilidade mais exacerbados por uma subida na temperatura do ar”, poderão constituir condições mais propícias para a ocorrência de tornados.
O tornado de Tomar, que passou também pelos concelhos de Ferreira do Zêzere e Sertã ocorreu numa área onde têm havido mais observação e ocorrência de fenómenos deste tipo.
Essa área, que está compreendida numa faixa de latitude entre o norte de Santarém e norte de Castelo Branco, parece ter tido mais observação e ocorrência de fenómenos do tipo tornado.
“Talvez exista alguma importância na interação entre a topografia (sistema montanhoso Montejunto - Estrela) e o escoamento atmosférico”, disse Paulo Pinto.
Um tornado é, por definição, um turbilhão de vento com diâmetro que pode variar entre alguns metros e mais de um quilómetros cuja presença se manifesta pela presença de um cone nebuloso invertido em forma de funil, que emerge da base da nuvem mãe e toca o solo.
Os tornados não podem, em geral, ser diretamente detetados por radares, que apenas permitem observar as estruturas convetivas especiais suscetíveis de gerar este tipo de fenómenos e outros fenómenos adversos.
Receba as principais notícias no seu email e fique sempre informado.
© 2026 Diário Digital Castelo Branco. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Albinet