Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
Cumprir o acordo com a “troika” internacional, garantir o sucesso do “caso português” e promover amplas reformas em setores essenciais os três objetivos eleitos por Paulo Portas como prioridades do Executivo PSD-CDS/PP.
Cumprir o acordo com a “troika” internacional, garantir o sucesso do “caso português” e promover amplas reformas em setores essenciais os três objetivos eleitos por Paulo Portas como prioridades do Executivo PSD-CDS/PP.
“Chegou o tempo de Portugal mudar de vida”, disse o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros esta tarde em Lisboa. “É necessária autenticidade e espírito novo. É preciso saber governar a poupar, e não apenas a gastar. Por isso, as chaves mestras da prática governativa são cumprir o acordo subscrito pelo Estado português, e garantir que o país recupera uma parcela de soberania. A credibilidade ganha-se quando se honram compromissos, um procedimento central”.
Portas discursava na sessão de abertura da “European roundtable” organizada pela Fundação Konrad Adenauer, com ligações à União Cristã Democrata (CDU) da chanceler alemã Angela Merkel, e que decorre a partir de hoje e durante o fim de semana num hotel de Lisboa.
O chefe da diplomacia portuguesa, que substituiu o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho (que não pôde estar presente na sessão inicial), traçou um diagnóstico da situação do país e mostrou-se convicto do sucesso governativo perante um desafio complexo.
“A União Europeia [UE] também necessita de um caso bem sucedido, para ultrapassar a crise das dívidas soberanas. A Europa precisa de motivos de confiança e é importante que o caso português seja bem sucedido”, vaticinou.
Ao sublinhar a “vocação manifestamente reformadora” do Executivo de coligação, Paulo Portas enunciou as prioridades que vão implicar a mudança, antes de notar que “existe ainda uma visão socializante derivada do processo revolucionário”.
Assim, defendeu a necessidade de uma revisão constitucional “que contrarie tudo o que é obstáculo ao crescimento”, pugnou por um “mercado de trabalho mais flexível”, uma segurança social “que liberte o Estado de encargos com pensões demasiado altas”, e a concretização da “mobilidade geográfica e social, que implica a reforma do arrendamento”.
Tudo medidas que o líder do CDS/PP definiu como “essenciais” para as gerações mais jovens.
“Existe um grande consenso intelectual em Portugal sobre a necessidade destas mudanças”, frisou, perante uma plateia de politólogos, investigadores, diplomatas, e alguns ex-ministros.
A formação de “autoridades de concorrência fortes, robustecidas no plano da revisão constitucional” foi outro aspeto particularmente sublinhado pelo ministro dos negócios Estrangeiros.
“Portugal precisa de governo forte, maioritário, estável e duradouro. É o primeiro passo”, insistiu.
Na parte mais ideológica da sua intervenção, Paulo Portas notou que os resultados das legislativas significam que “mudou uma certa forma de governar e de fazer política”, e detetou uma recente alteração na “consciência” da população do país.
“Os portugueses têm consciência da situação e sabem que acabou o tempo de fazer promessas que não se cumprem. O endividamento mudou a consciência que os portugueses hoje têm. Que um dia chegaria a fatura, e com um preço elevado. Essa consciência chegou ao centro da vida política em Portugal”.
O ministro elegeu ainda a economia e o crescimento como “questões centrais”, mas na lógica social-cristã que perfilha avisou: “A austeridade deve obedecer a princípios, deve ser aplicada com ética social para proteger os mais vulneráveis. E deve existir ainda ética fiscal na austeridade, aspetos presentes no acordo programático PSD-CDS”.
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