Introduza pelo menos 5 caracteres.
img
Economia 25 de junho de 2015

Vila Velha de Rodão: Pescadores de Ortiga desesperados com situação do Tejo

Por: Diario Digital Castelo Branco

Conceição Parente, 70 anos, antiga pescadora da Ortiga, concelho de Mação, bebia a água do Tejo e hoje já não bebe. Adorava o sável e a saboga pescados no Tejo e hoje até o cheiro do rio a incomoda. 

Conceição Parente, 70 anos, antiga pescadora da Ortiga, concelho de Mação, bebia a água do Tejo e hoje já não bebe. Adorava o sável e a saboga pescados no Tejo e hoje até o cheiro do rio a incomoda. Aqueles que conhecem profundamente o rio dizem que este foi o pior ano em termos de poluição. “Nunca tínhamos visto nada assim, dizem que é das fábricas de Vila Velha de Rodão”, diz a moradora, anuncia o jornal semanário O Mirante online.

Francisco Pinto, pescador profissional, também aponta o dedo às fábricas a montante. “Um camarada de pesca teve que colocar os viveiros de lagostins na parte de cima das descargas de Vila Velha de Ródão para não morrerem, ninguém pesca de Vila Velha para baixo. Não há peixe”.

Arménio Coelho até evita molhar os pés por causa da poluição que é evidente, mas, avisa, “aquela que não se vê pode ainda ser mais grave”. Recorda-se que no passado “até no mês de Agosto o rio levava um caudal muito superior ao que se vê hoje.

Os caudais ecológicos não são os adequados para os dias de hoje e o acordo com Espanha está desactualizado e tem que ser renegociado, diz João Matos Filipe, morador em Ortiga, que acrescenta: “Tem que ser o Ministério dos Negócios Estrangeiros a negociar com o governo central espanhol. Os governos regionais de Espanha têm o mesmo problema que nós”.

João Filipe diz que é urgente identificar os agentes poluidores e puni-los, ressalvando no entanto que “tratam-se de fábricas que têm um papel social muito importante na comunidade onde estão inseridas, no que diz respeito a postos de trabalho, e o governo podia apoiar no sentido da construção de ETAR adequadas”.

 

Espécies estão a desaparecer

Os últimos tempos têm sido muito difíceis para Francisco Pinto, pescador profissional. “Basta dizer que de Abrantes para cima não se apanhou nem lampreia, nem sável, nem saboga, nem nada”, conta desalentado. O pescador tem um barco abaixo de Abrantes e é lá que se tem desenrascado.

E ainda há outro problema, que são as espécies em vias de extinção. Começou pelo peixe rei, a seguir foram os góbios, depois as percas e as bogas e agora está em vias de afectar os barbos. Para agravar o cenário “os clientes já não querem comprar o peixe aos pescadores porque duvidam da qualidade porque já não tem o gosto que tinha”, conclui Francisco Pinto.

 

Deputados juntam-se à luta e pedem obras e mais vigilância

Os pescadores do Tejo encontraram nos deputados dos distritos banhados pelo rio preciosos aliados na luta contra o actual estado de coisas. Na manhã de 16 de Junho estiveram em Ortiga parlamentares do PSD e CDS-PP dos distritos de Santarém, Castelo Branco, Portalegre e Lisboa que apresentaram um projecto de resolução em “Defesa da sustentabilidade do rio Tejo”.

Em relação aos problemas que afectam a zona de Ortiga, os deputados pedem que a Agência Portuguesa do Ambiente apoie tecnicamente a Câmara de Abrantes nas alterações necessárias a realizar no açude do Tejo, em Abrantes, em particular na melhoria do sistema de passagem de peixes, bem como na preparação de eventuais candidaturas a fundos comunitários para financiamento dos investimentos necessários.

Para além disso, pedem ao Governo para que se proceda à “caracterização e quantificação do grau de degradação dos sistemas fluviais” do rio Tejo, em particular nas zonas com margens mais degradadas, incluindo a avaliação de eventuais intervenções a fazer no sentido de reforçar a sua estabilidade para prevenir cheias, acidentes ou desmoronamentos que possam colocar em causa a segurança das pessoas e das explorações agrícolas.

Por fim, os deputados pedem ao Governo que elabore um Plano de Vigilância, Prevenção, Controlo e Mitigação, “uma vez que são frequentes estas ocorrências, especialmente nos meses/anos menos chuvosos”, entendendo os deputados como “útil” um plano que incluísse a monitorização e inspecção visual da qualidade da água, a fiscalização das actividades na bacia hidrográfica e um programa de medidas de minimização para quando não pode ser evitado que os casos ocorram quer de forma acidental quer natural.

Partilhar:

Relacionadas

© 2026 Diário Digital Castelo Branco. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Albinet

Link copiado!