Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
Os agricultores do Monte Pardal, em Castelo Branco, enviaram uma carta ao primeiro-ministro e às ministras das Finanças e da Agricultura a pedir uma solução para o impasse em que está a venda daquela herdade.
Os agricultores do Monte Pardal, em Castelo Branco, enviaram uma carta ao primeiro-ministro e às ministras das Finanças e da Agricultura a pedir uma solução para o impasse em que está a venda daquela herdade.
No documento, a que a Lusa teve hoje acesso, a Associação dos Agricultores do Monte Pardal diz que este processo "estaria já concluído não fora o caso de o Ministério da Agricultura e Ministério das Finanças terem entendimentos diferentes sobre o desencadear do processo de venda do monte aos agricultores".
A herdade do Monte Pardal foi ocupada há 40 anos pela população da localidade de Lentiscais, em Castelo Branco, depois de terem sido cortadas as azinheiras do monte para plantação de eucaliptos, facto que indignou a população local e que culminou com a ocupação do monte.
Em 1978, depois da experiência menos conseguida de uma cooperativa, a propriedade foi dividida e entregue em várias parcelas a 172 famílias da aldeia, pelo Ministério da Agricultura.
Ao longo destes 40 anos, os agricultores locais criaram uma associação que tem lutado pela aquisição da herdade ao Estado, uma vez que se encontram a pagar uma renda sobre as parcelas ocupadas.
Em junho deste ano, o processo parecia estar bem encaminhado, quando a Câmara de Castelo Branco se disponibilizou a ser o mediador para a concretização da venda dos terrenos aos agricultores.
O assunto foi à Assembleia Municipal, que autorizou o município a adquirir ao Estado a herdade do Monte Pardal por cerca de 900 mil euros.
Contudo, o processo voltou a sofrer um revés devido a divergências entre os dois ministérios envolvidos, Finanças e Agricultura, dizem os agricultores.
"Estamos mais uma vez num impasse que poderá levar ao arrastamento deste processo por mais uns anos", lê-se no documento.
À Lusa, o presidente da direção da Associação de Agricultores, André Martins, explicou que o Ministério da Agricultura "não está de acordo com a forma encontrada para resolver o problema".
Este responsável lamenta a situação de impasse em que o processo voltou a cair, ainda por cima num momento "em que há entidades [Câmara e Assembleia Municipal de Castelo Branco] que deliberaram a aquisição do monte".
"Ao fim de 40 anos, isto é o limite. Temos procurado dialogar junto das entidades competentes. Aquilo que queremos é que decidam para não se continuar no impasse", adiantou.
Na carta, os agricultores dizem que "é tempo de dizer basta" e pedem que se "faça justiça".
Adiantam ainda que não lhes cabe "saber quais as formas processuais ou jurídico-legais para atingir os objetivos em causa" e que "só querem dar o seu contributo para desenvolver mais e melhorar a sua terra e a região do interior onde vivem".
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