Por: Patrícia Calado
A antiga fábrica de lanifícios Pereirinho, na União de Freguesias de Cebolais de Cima e Retaxo, esteve aberta entre sábado e terça-feira para a iniciativa “Assalto Criativo Lançarte”.
A antiga fábrica de lanifícios Pereirinho, na União de Freguesias de Cebolais de Cima e Retaxo, esteve aberta entre sábado e terça-feira para a iniciativa “Assalto Criativo Lançarte”.
Pela rua da Fiandeira passaram exposições e debates, terminando na segunda e terça-feira com visitas guiadas e o arranque das comemorações do dia de Santa Cruz. No domingo, as portas desta antiga fábrica voltaram a abrir com antigos trabalhadores, que partilharam saberes através de uma intensa atividade de workshops “Aprender com quem sabe!”, organizados pelo Projeto Lançadeira. Este projeto veio assim dar luz a um património que a cada dia que passava, desaparecia mais um pouco.
A antiga fábrica foi palco de uma exposição que contou com trabalhos desenvolvidos no âmbito de um projeto de requalificação da paisagem e percursos pelas técnicas utilizadas nas antigas fábricas, nomeadamente a cardação ou a fiação.
O “Assalto Criativo Lançarte” começou no sábado logo pela manhã, com a inauguração oficial, onde estiveram presentes as edilidades. Miguel Vaz, Presidente da União de Freguesias Cebolais de Cima/Retaxo, mostrou-se orgulhoso pelo trabalho feito pelo grupo da Universidade Lusíada, que se mostrou “interessada pelos nossos antepassados”, acabando por ter mostrado a atividade económica que outrora foi motor de desenvolvimento desta união de freguesias, a indústria dos lanifícios.
Luís Correia, presidente da autarquia de Castelo Branco, salientou a importância deste tipo de atividades para as aldeias, já que, este grupo acabou por “dar outra visão” daquele território.
“Todo este trabalho feito aqui pela Universidade Lusíada é uma parceria que pretendemos que continue. O caminho faz-se com ações como esta, incentivando a criatividade, é dessa forma que conseguimos fazer uma mudança e apostar nas artes para promover envolvimento da sociedade”, referiu.
O autarca acredita que este “Assalto Criativo” veio promover o envolvimento da população, ajudando “a construir um concelho melhor”.
“Esta é uma obra bastante ímpar, a requalificação da fábrica. Um sítio onde revivemos aquilo que foi o passado, mas que também seja um espaço de fator de dinamismo”, adiantou.
Este que foi o primeiro “Assalto Criativo Lançarte” reuniu diversas expressões artísticas e etnográficas, como videoarte, etnografia, dança, gastronomia, fotografia, desenho, entre outros, ao mesmo tempo irão ocorreram ações de formação com apoio de antigos operários de ofícios e um conjunto de conferências.
A ação designada “Assalto Criativo Lançarte” insere-se na estratégia metodológica de uma investigação proposta pelo grupo de investigação LLAB 21 do CITAD - ULL (Centro de Investigação em Território, Arquitetura e Design da Universidade Lusíada de Lisboa) PI “Requalificação da paisagem, uma questão de escala e skylines”.
Um dos objetivos primordiais deste projeto passou por realizar um reconhecimento e identificar a existência de valores operativos com base no reconhecimento expositivo de uma identidade de paisagem para uma requalificação regenerativa do território. O grupo da Universidade Lusíada pretendeu igualmente apelar para a importância de registos etnográficos e das memórias coletivas, assim como da exposição de materiais relacionados com o trabalho operário, industrial e artesanal, tecendo estratégias de interação entre as abordagens tradicionais e as contemporâneas desta indústria da tecelagem, numa apropriação por artistas plásticos, arquitetos e designers.
Receba as principais notícias no seu email e fique sempre informado.
© 2026 Diário Digital Castelo Branco. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Albinet