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Economia 12 de maio de 2016

Mau tempo está a atrasar e a provocar perdas na produção de cereja do Fundão

Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa

As condições climatéricas adversas que se têm verificado este ano estão a atrasar a produção de cereja do Fundão e a provocar "uma quebra muito significativa", que em algumas variedades chega a ser total.

As condições climatéricas adversas que se têm verificado este ano estão a atrasar a produção de cereja do Fundão e a provocar "uma quebra muito significativa", que em algumas variedades chega a ser total.

"Está efetivamente a ser um ano muito problemático e creio que, infelizmente, não tenhamos um produtor sem perdas muito significativas. Há variedades em que a perda é total e há produtores com quebras gerais na ordem dos 80%", disse à agência Lusa José Pinto Castello Branco, produtor e presidente da Cerfundão, empresa de embalamento e comercialização de cereja.

Neste concelho, que tem uma das maiores áreas de produção de cereja de todo o país, a colheita costuma arrancar no final de abril, mas este ano ainda nenhum produtor começou a colher e "as melhores perspetivas" só apontam o início da campanha para o final da próxima semana, ou até mais tarde.

Segundo José Pinto Castello Branco, o atraso e as perdas estão a ser essencialmente provocados pelo frio e pela chuva intensa que se verificaram não só nos últimos dias, mas também na altura da floração, o que impediu um normal desenrolar do processo de polinização e o consequente desenvolvimento do fruto.

"Como se isso já não bastasse, agora temos esta quantidade de água absurda que tem caído diariamente e que está a estragar as poucas cerejas que tinham vingado", lamentou.

Este é um ano mau e quase sem paralelo, como lembrou Almério Oliveira, 58 anos, produtor de cereja com mais cerca de 40 hectares de pomar plantados e uma quebra de produção estimada de cerca de 50%.

"Os anos nunca são totalmente bons. Há sempre alguma coisa a estragar, mas desta forma há muito que não acontecia. Só há cerca de 40 anos é que tivemos um mês de junho em que choveu quase todos os dias e que foi para esquecer", contou à agência Lusa.

Este ano, Almério Oliveira esperava colher cerca de 300 toneladas de cerejas, mas tendo em conta aquilo que encontra nas cerejeiras considera que "se conseguir chegar às 150 já será bom".

A situação repete-se em muitos pomares da região e leva o presidente da Cerfundão a não querer avançar previsões quanto às possibilidades de produção anual.

Relativamente a prejuízos, José Pinto Castello Branco lembrou que os seguros não cobrem este tipo de situações, pelo que "serão certamente muito elevados, não só para os produtores como também para toda a economia que é criada pela cereja".

Esta economia já representará neste concelho do distrito de Castelo Branco cerca de 20 milhões de euros anuais, segundo dados anteriormente apontados pelo presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes.

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