Por: Diario Digital Castelo Branco
“Os Patrimónios da Terra e do Homem: Linhas de Valorização e Desenvolvimento Sustentável na Beira Baixa” foi o tema do Colóquio Praxis V que este ano se realizou em Proença-a-Nova a 29 de julho, coincidindo com o início do Campo Arqueológico Internacional de Proença-a-Nova (CAIPN).
“Os Patrimónios da Terra e do Homem: Linhas de Valorização e Desenvolvimento Sustentável na Beira Baixa” foi o tema do Colóquio Praxis V que este ano se realizou em Proença-a-Nova a 29 de julho, coincidindo com o início do Campo Arqueológico Internacional de Proença-a-Nova (CAIPN).
Duas dezenas de convidados, das mais diversas áreas do saber, apresentaram casos de sucesso já implementados no território ou deixaram pistas de reflexão sobre o que deve ser o desenvolvimento sustentável numa região que vê no turismo uma importante forma de criar atratividade, não só para quem reside nestes concelhos mas também para um número crescente de turistas que os visita.
“Nós só temos, de facto, património se este território for habitado pelo homem. Se não conseguirmos estancar esta desertificação que nos vai assolando enquanto país, não conseguimos fazer nada, perdemos riqueza e, no fundo, é o país que perde no seu todo”, referiu João Lobo, presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova, no discurso inaugural do colóquio. No caso concreto do Município a que preside, tem sido a autarquia a investir na realização de trabalhos arqueológicos para por a descoberto uma riqueza arqueológica até há poucos anos desconhecida e que se revela nas antas já visitáveis, nos fortes da linha defensiva Talhadas – Moradal e nos mais recentes trabalhos que decorrem no recinto muralhado de Chão do Galego. Apelando a um espírito de solidariedade para corrigir assimetrias com séculos de existência, João Lobo destacou o papel fundamental do turismo e da necessidade do território ser divulgado no seu conjunto. “Ninguém quer esmolas, como é natural não é isso que pedimos. Agora pedimos que, de forma honesta, sejamos solidários na valorização do património nestes dois terços do país, que também pode fazer a diferenciação na sua atratividade”, acrescentou João Lobo.
A encerrar os trabalhos, o coordenador-adjunto da Unidade de Missão para a Valorização do Interior e anterior autarca, João Paulo Catarino, destacou igualmente o papel das câmaras na recuperação do seu património e “do que têm de melhor, de diferente e de único”. Anunciou que, em setembro, a Unidade de Missão irá apresentar o Plano Nacional para a Coesão Territorial em que o turismo terá um importante papel. “O mais difícil está feito: as pessoas estão a chegar a Portugal e já se aperceberam das nossas enormes potencialidades”. Agora é definir rotas de turismo militar, turismo arqueológico, turismo de natureza, entre muitos outros, que têm condições ímpares nesta região. João Paulo Catarino, que ocupou a presidência da Câmara Municipal de Proença-a-Nova durante dez anos, destaca acima de tudo o impacto que os campos arqueológicos tiveram na autoestima desta população pois afinal o território tem muita riqueza escondida, à espera de ser revelada. “Gostamos muito dos turistas mas em primeira análise não nos podemos esquecer dos nossos, dos que cá continuam a viver e a residir e que, apesar dos custos de contexto, continuam a ser felizes cá”.
A potencialidade do turismo na região
O Colóquio Praxis, em 2016 na sua quinta edição, é uma iniciativa do Instituto Politécnico de Tomar (IPT), este ano coorganizado pelo Município de Proença-a-Nova e pela Associação de Estudos do Alto Tejo (AEAT). Ana Rosa Cruz, diretora do Centro de Pré-História do Instituto Politécnico de Tomar, destacou as graduais mudanças que estão a ser realizadas no Ensino Superior e que estão a contribuir para a construção de uma sociedade mais inclusiva. “A democratização do Ensino Superior está ainda na sua adolescência mas progressivamente vai saindo da sua torre de marfim para se articular com as instituições que trabalham no dia-a-dia”, defendeu. Desta forma, o conhecimento pode ser posto ao serviço das regiões, com proveito para todos os intervenientes, sendo disso exemplo o protocolo celebrado entre o IPT, o Município e a AEAT. Jorge Gouveia, coordenador da AEAT, destacou o trabalho desenvolvido pela associação nos campos arqueológicos de Proença-a-Nova e do “potencial enorme” que está a ser revelado. “No dia em que os nossos economistas usarem a economia para conceber as verdadeiras políticas de coesão territorial, alguém vai ter que calcular o retorno que o conhecimento e que a valorização deste património trazem para a região”, afirmou.
O presidente da entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal recordou a preocupação que a instituição coloca na definição e estratégica do modelo de governação dos destinos turísticos que é muito influenciada pelas características do turista, muito autónomo no planeamento devido ao impacto das novas tecnologias. Nesse sentido, passa a ser importante “a qualidade informação, a qualidade da experiência, a qualidade de podermos seduzir e surpreender esses consumidores”. Tendo em conta que a cultura já pesa 50% na primeira motivação para a visita turística, torna-se essencial estruturar os recursos da região em produtos turísticos mas garantindo um desenvolvimento sustentável. Para Pedro Machado, será necessário englobar os recursos, as organizações, o mercado, a formação e qualificação e as empresas para se ter um destino forte.
Com um dia de trabalho bastante preenchido, no Colóquio Praxis abordaram-se as temáticas do turismo militar, com diversos intervenientes a pronunciarem-se sobre a riqueza deste património e as suas oportunidades e desafios, e apresentaram-se casos de sucesso da região noutros campos, por exemplo o Geopark Naturtejo - que comemorou 10 anos em julho -, a rede das Aldeias de Xisto, o trilho dos Apalaches no concelho de Oleiros, a Escola de Arqueologia de Ródão ou o projeto Vamba, também em Vila Velha de Ródão. Foi igualmente realizado um primeiro balanço do Campo Arqueológico Internacional de Proença-a-Nova que, desde a sua primeira edição, já envolveu 24 parceiros universitários e 805 participantes. João Caninas, arqueólogo responsável pelo CAIPN, destacou a monumentalidade dos sítios intervencionados: uma das antas em escavação é a maior do distrito de Castelo Branco e o recinto muralhado do Chão do Galego envolve um perímetro de dois quilómetros e uma área de 20 hectares. “Os monumentos que temos vindo a estudar respondem à necessidade de escala”, escala esta que é fonte de atrativo para as comunidades internacionais, as escolas de arqueologia e seus alunos.
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