Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
A portuguesa Celeste Georgakis ainda hoje é recordada em Wall Street como a “rainha do sumo de laranja” por durante anos ter dominado as transações do produto e outras “soft commodities” em bolsa, mas a eletrónica terminou com o“reinado”.
A portuguesa Celeste Georgakis ainda hoje é recordada em Wall Street como a “rainha do sumo de laranja” por durante anos ter dominado as transações do produto e outras “soft commodities” em bolsa, mas a eletrónica terminou com o“reinado”.
“Eu tinha mais de metade do negócio [de sumo de laranja] na bolsa na altura e se eu dissesse alguma coisa tinha uma tendência dos mercados moverem-se também porque estava ligada à maior companhia” internacional em “soft commodities” nas últimas décadas, a Cargill Investor Services, disse em entrevista à Lusa.
Ainda hoje podem ser facilmente encontradas em artigos de arquivo no New York Times ou LA Times referências à "rainha do sumo de laranja", nas leituras de mercado.
Com apelido grego por casamento, Celeste foi recrutada pela Cargill quando era uma jovem analista de metais. Como falava português, foram-lhe atribuídos os negócios com o Brasil: de laranja e café.Por isso, ainda mantém alguma entoação brasileira no falar.
“Era de máxima importância falar português e fiquei a dirigir o negócio todo de sumo de laranja. Era conhecida muito nos mercados da Europa e do Brasil por isso, e pelo café”, afirma Georgakis, residente nos Estados Unidos há 45 anos.
Natural de Castelo Branco, a gestora financeira chegou a Nova Iorque aos 15 anos, depois de 9 anos e meio com a família em Angola.
Viajou com frequência para Portugal para visitar os pais, que escolheram a terra natal para a reforma depois de saírem dos Estados Unidos, e hoje passa parte do ano entre Lagos, a Grécia, Nova Iorque e Londres, onde vive uma filha.
Abandonou o mercado depois de uma passagem por outra financeira de topo, a Prudential, e entrou numa situação de “semi-reforma”, em que viaja mas também faz consultoria para alguns antigos clientes.
Uma das suas mais recentes ligações é ao etanol e energia, e mantém contactos com empresas portuguesas como a Galp e REN.
A decisão de sair do dia a dia dos mercados deveu-se à retirada da Prudential do negócio de commodities e à mudança que as tecnologias vieram trazer ao “trading”.
“Houve a fusão de companhias, que deu origem a grandes mudanças e aos grandes fundos terem mais poder sobre os mercados. Uma transformação total”, afirmou.
Paralelamente, o negócio passou a ser feito muito mais eletronicamente, não só dos grandes fundos e gestores de ativos, mas também por causa de pequenos investidores.
“Hoje é muito mais impessoal. Antes, o mundo não tinha acesso a negociar, hoje pode-se estar no computador e negociar a bolsa de qualquer forma”, afirma.
Para a gestora financeira, isto expõe o mercado mais à “psicologia do momento”, e esta muitas vezes tem pouca base em informação concreta, no estado da procura e da oferta de determinados bens.
“Quando comecei a minha carreira, eu era vital para os mercados, porque podia conseguir informações que ninguém tinha nessa altura, pelos meus contactos, e porque sabia várias línguas”, recorda.
Hoje quando vai à sala de mercados da bolsa de commodities de Nova Iorque, onde “reinou” durante muitos anos, Celeste Georgakis contempla um cenário desolador.
“Parece uma cidade fantasma”, afirma a antiga "rainha do sumo de laranja".
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