Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
A Universidade da Beira Interior (UBI) reivindica um novo modelo de financiamento para o ensino superior que permita pôr fim ao "subfinanciamento crónico" da instituição, cujas transferências do Estado não são suficientes para pagar a totalidade dos salários.
A Universidade da Beira Interior (UBI) reivindica um novo modelo de financiamento para o ensino superior que permita pôr fim ao "subfinanciamento crónico" da instituição, cujas transferências do Estado não são suficientes para pagar a totalidade dos salários.
"Exigimos um modelo de financiamento claro e simples do ensino superior porque, com este subfinanciamento crónico, estão a asfixiar-nos completamente", disse o reitor da UBI, António Fidalgo, à agência Lusa.
Segundo o responsável, este ano as transferências da tutela para a universidade sediada na Covilhã, distrito de Castelo Branco, foram de apenas 22,8 milhões euros, quando as despesas com pessoal passaram os 28,2 milhões de euros, o que traduz num défice superior a 5,3 milhões de euros, só nesta componente.
Aos encargos anuais da instituição, lembrou, é ainda necessário juntar outras despesas de funcionamento, como os custos de contexto ou de apoio ao funcionamento laboratorial.
"Só em água e aquecimento temos custos de cerca de um milhão de euros", frisou.
De acordo com o que explicou, os montantes de financiamento são decididos com base no "histórico", que remonta há mais de 15 anos e que não tem em conta o crescimento que, entretanto, a UBI alcançou.
"Nessa altura tínhamos cerca de cinco mil alunos e hoje temos sete mil. Além disso, passámos de um corpo docente com 50% de doutorados para cerca de 90% de doutorados", apontou.
Lamentando que "estes resultados positivos" continuem sem estar refletidos no financiamento do Governo, apesar de contribuírem para aumentar os encargos, António Fidalgo explicou que, até agora, a UBI tem conseguido sobreviver com "grande esforço" e recorrendo às receitas próprias que conquista, nomeadamente através de candidaturas a projetos.
Uma estratégia que, salientou, também é penalizada pelo "subfinanciamento crónico", visto que nas candidaturas a projetos europeus há sempre uma componente de autofinanciamento que, dada a situação, a UBI tem cada vez mais dificuldade em assegurar.
"Estão a secar-nos e isto está a chegar a um ponto insustentável", afirmou.
A "desigualdade" que se verifica entre instituições é outro dos aspetos que o reitor da UBI critica na atual forma de financiamento, já que se traduz no "agravamento das assimetrias históricas e que atingem já proporções clamorosas".
"É inadmissível que numa determinada instituição um aluno tenha um financiamento de seis mil euros do Orçamento de Estado e que noutra instituição esse valor não ultrapasse os dois mil euros", afirmou, sem querer especificar as instituições em causa, mas garantido que tais dados são reais.
Segundo apontou, a UBI tem feito chegar, "por diversas vezes e meios", os apelos e reivindicações à tutela, ponderando agora o recurso à Comissão de Educação e Ciência na Assembleia da República.
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