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Educação 13 de dezembro de 2016

Universidade Sénior de Proença-a-Nova e Universidade de Lisboa assinam protocolo

Por: Diario Digital Castelo Branco

A Universidade Sénior de Proença-a-Nova (USPN) e o Instituto de Educação da Universidade de Lisboa assinaram um protocolo para o desenvolvimento do projeto “Memórias Resgatadas: Percursos de Escolarização, Identidades e Dinâmicas Educativas Locais” que irá permitir a realização de trabalhos académicos sobre o Ensino no concelho de Proença-a-Nova, com base em testemunhos recolhidos junto da comunidade, com especial incidência nos alunos da Universidade Sénior.

A Universidade Sénior de Proença-a-Nova (USPN) e o Instituto de Educação da Universidade de Lisboa assinaram um protocolo para o desenvolvimento do projeto “Memórias Resgatadas: Percursos de Escolarização, Identidades e Dinâmicas Educativas Locais” que irá permitir a realização de trabalhos académicos sobre o Ensino no concelho de Proença-a-Nova, com base em testemunhos recolhidos junto da comunidade, com especial incidência nos alunos da Universidade Sénior.

“Este protocolo é essencial para darmos um salto qualitativo porque traz-nos um produto, se quisermos, certificado pela Universidade de Lisboa, uma das melhores do país”, considera o reitor da USPN, António Manuel Silva. Em conjunto com os docentes do Instituto, está a ser elaborado um questionário que será respondido pelos alunos. “Nós vamos fornecer a matéria-prima, eles trabalham os dados e vão publicar monografias sobre a Educação em Proença-a-Nova. Vamos aparecer ligados a uma universidade de prestígio, o que nos vai dar visibilidade, quer na Universidade Sénior, quer perante a população”.

O protocolo foi assinado a 30 de novembro pelo presidente da Câmara de Proença-a-Nova, João Lobo, durante o encontro com alunos e professores da USPN que marcou o arranque oficial do terceiro ano letivo de funcionamento deste projeto, vocacionado para pessoas com mais de 50 anos que pretendam manter um envelhecimento ativo mediante a aprendizagem e a troca de experiências.

Em comunicado enviado ao Diário Digital Castelo Branco, João Lobo destaca o pioneirismo da Universidade Sénior de Proença-a-Nova no contexto regional e a importância de um projeto desta natureza para garantir a atratividade do território. “Não temos que ter medo da palavra envelhecimento. Estamos num concelho do interior e o que caracteriza a nossa pirâmide demográfica é o maior número de pessoas com idade superior a 60 anos. Temos que tirar partido daqueles que de forma ativa deram o seu contributo, mas que se encontram na melhor fase de partilhar conhecimento consolidado e, com isto, ajudarem cada vez mais a criar uma sociedade com ligação intergeracional mais forte”, afirma.

No ano letivo 2016/2017, estão inscritos 81 alunos na USPN, nos polos de Proença-a-Nova e Sobreira Formosa, que têm 16 disciplinas à escolha, todas lecionadas em regime de voluntariado. Tanto o reitor como o presidente da Câmara fazem um balanço muito positivo da atividade desenvolvida e que se materializou na execução, por exemplo, de duas publicações pelos alunos nas disciplinas de Escrita Criativa e Etnografia, apresentadas na mesma ocasião.

Olívia Cardoso, docente de Escrita Criativa, apresentou a “Arte de Escrevinhar”, composta por textos escritos pelos alunos em resposta a desafios propostos nas aulas. “É fruto do trabalho, criatividade e imaginação dos alunos. Eles escrevem com o coração”, sintetizou. Já o livro “Do Grão ao Pão” surgiu na disciplina de Etnografia, lecionada por Maria do Carmo Sequeira, e apresenta uma atividade com grande tradição no concelho: o cultivo do milho de regadio. Para além de receitas com a farinha de milho, apresentam-se provérbios populares associados a esta temática e uma recolha de danças e cantares, além da descrição de todo o ciclo do milho, desde que é plantado até que é moído. “Também é por estas duas publicações que o balanço que faço da atividade da Universidade Sénior é exponencialmente positivo, e têm agora que se repercutir em mais publicações nos próximos anos. Ao Município cabe incentivar e apoiar, traduzindo-se também estes trabalhos em fatores de atratividade e valorização pessoal e coletiva, consubstanciados no nosso território”, acrescentou João Lobo.

Tanto a função de recordar outros tempos como o estímulo à criatividade são destacados pelos alunos como motivos por se terem inscrito na Universidade Sénior, a que se junta o convívio promovido que é um bom antídoto contra a solidão. “Com a presença nas aulas ganhei conhecimento, aumentei a autoestima e é, sem dúvida, uma terapia que me tem ajudado. Perante a minha experiência, recomendo a todos as pessoas que, como eu, não tiveram a seu tempo oportunidade de adquirir o conhecimento e recuperar o tempo perdido de que não pudemos dispor”, considera Elias Correia, aluno desde o primeiro ano letivo. Maria da Nazaré Gonçalves destaca, por sua vez, o convívio e a aprendizagem. “Há uma partilha que nos enriquece a todos, posso dar e receber”.

Como Universidade Sénior, há flexibilidade na inscrição de novos alunos que pode ser formalizada em qualquer altura do ano letivo. 

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