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Região 17 de setembro de 2011

Fundão: No Festival Chocalhos em Alpedrinha até uma funerária se transforma em tasquinha

Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa

Pelo nono ano consecutivo, de sexta a domingo, as principais ruas da vila são palco de uma das maiores festas anuais da Beira Interior com o rés-do-chão das habitações convertido em bares, restaurantes ou lojas de produtos regionais.

Pelo nono ano consecutivo, de sexta a domingo, as principais ruas da vila são palco de uma das maiores festas anuais da Beira Interior com o rés-do-chão das habitações convertido em bares, restaurantes ou lojas de produtos regionais.

As tradições pastoris são o tema central que leva milhares de pessoas a provar o queijo, licores, doces e petiscos regionais, lado a lado com artesanato e animação de rua permanente com grupos de bombos e música tradicional.

Ouvem-se chocalhos por toda a parte e em diferentes largos da vila há ainda associações que mostram como se fazem instrumentos musicais usados por pastores, como se cuida de um rebanho ou de cães da Serra da Estrela.

Mas as tasquinhas dominam o cenário, abertas até de madrugada, seja por iniciativa dos residentes, seja a cargo de quem vem de longe e aluga os espaços para fazer negócio ou pura e simplesmente para fazer a festa.

Nuno Pessegueiro, profissional da hotelaria em Torres Novas, é repetente nos Chocalhos, onde todos os anos se junta a amigos da vila, um dos quais proprietário de uma casa onde funciona a agência funerária local.

No último ano conversavam na escadaria do imóvel quando alguém perguntou o que se vendia naquela casa: “Aqui, só caixões”, foi a resposta de Nuno, que num instante percebeu que podia aproveitar o espaço.

A placa que anuncia a agência funerária ao lado do cartaz com o preço dos petiscos da tasquinha Tas Ká “motiva a curiosidade de quem passa”, mas a participação “não tem fins lucrativos”.

Nuno Pessegueiro não quer ter prejuízo, mas garante que dirige o espaço “pelo convívio” e porque gosta da festa: “é um evento fora do normal, que abrange todas as idades e não tem horários limite”.

A poucos metros, Ana Sofia, estudante de enfermagem com 20 anos, alugou um rés-do-chão de uma casa de habitação para vender licores caseiros e doçaria regional.

Na Tasca da Ana, o que mais se vende “são os licores e a ginjinha também é muito procurada”.

São produtos caseiros feitos propositadamente para os Chocalhos, com os licores vendidos a partir de 60 cêntimos em pequenos copos, enquanto os bolos saem a três euros por saco.

A festa de muitos representa desassossego para Maria Martins, de 86 anos, moradora numa das ruas do festival.

A idade “já não deixa suportar tanto barulho: são três noites sem dormir”, mas mesmo assim, a moradora gosta dos Chocalhos e só lamenta que as pernas não lhe permitam sair à rua.

Por norma, a vila “é muito parada, um sossego total”, por isso, aplaude a iniciativa sentada à porta de casa.

Durante o Festival Chocalhos, são criados parques de estacionamento nos acessos à vila e autocarros fazem a ligação ao centro histórico de Alpedrinha.

Há também autocarros entre a sede de concelho, a cidade do Fundão, e a vila e este ano foi também criada uma praça de táxis junto à festa.

A organização (Câmara do Fundão, empresa municipal de turismo e Junta de Freguesia de Alpedrinha) estima que um milhão de euros deva mudar de mãos durante o festival que recebe, pelo menos, 30 mil pessoas.

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