Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
A praga da mosca da azeitona pode arruinar um quinto da produção de azeite da Beira Interior, revelou hoje João Pereira, presidente da associação regional do setor, à Agência Lusa.
A praga da mosca da azeitona pode arruinar um quinto da produção de azeite da Beira Interior, revelou hoje João Pereira, presidente da associação regional do setor, à Agência Lusa.
O mês de agosto foi mais fresco que o habitual e faltou calor para matar a mosca que "deixou muita azeitona picada", lamenta.
Por outro lado, na região "há pouco hábito de tratamento das pragas do olival".
A Associação de Produtores de Azeite da Beira Interior (APABI), que abrange os distritos de Castelo Branco e Guarda, receia numa primeira estimativa que a praga faça baixar a produção das habituais 6000 toneladas para um pouco abaixo das 5000.
A maioria dos produtores da região começa a apanhar azeitona nas próximas semanas e os 120 lagares abrem a partir de novembro para processar as entregas.
João Pereira espera que o azeite que começa agora a nascer já possa chegar ao público com a marca Azeite da Beira Interior, fruto de um projeto da APABI para criação de uma unidade de embalamento e comercialização em 2012.
A Beira Interior "é a região do país que tem mais lagares de azeite" que a associação pretende juntar numa única marca que seja mais rentável do que a atual dispersão, destaca João Pereira.
Segundo refere, o projeto "está em análise junto das entidades financiadoras e com perspetivas positivas".
O azeite da Beira Interior é produzido com três espécies de azeitona autóctone que ainda dominam os olivais: Galega, Cordovil e Bical de Castelo Branco.
Todas juntas dão "uma vantagem em aroma e sabor relativamente a outros azeites".
A Beira Interior "é das zonas do país com menos olival novo, mas onde o que existe não é abandonado", realça João Pereira, para quem a renovação dos lagares nos últimos 10 anos tem permitido dinamizar o setor.
Para o presidente da APABI, a região "tem capacidade tecnológica instalada capaz de dar resposta aos produtores para se obterem azeites de qualidade", desde o Douro até ao Tejo, incluindo o concelho de Mação.
Em tempo de crise financeira, aquele responsável nota que tem crescido a economia informal, "em que se recorre ao vizinho da aldeia para comprar um garrafão de azeite que ele traga do lagar da terra".
Seja como for, João Pereira acredita que o azeite "está nosso ADN enquanto consumidores" e estará "entre as últimas coisas a cortar" na lista de compras.
A APABI junta 58 dos 120 lagares de azeite da Beira Interior, responsáveis por 80 por cento da produção de azeite da região.
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