Por: Tiago Carvalho
O escritor António Lobo Antunes disse estar “furioso” com o ponto a que Portugal chegou, em declarações à margem da apresentação do seu livro mais recente na Biblioteca Municipal de Castelo Branco,esta sexta-feira .
O escritor António Lobo Antunes disse estar “furioso” com o ponto a que Portugal chegou, em declarações à margem da apresentação do seu livro mais recente na Biblioteca Municipal de Castelo Branco, esta sexta-feira .
Pela primeira vez em Castelo Branco, o conceituado escritor português falou aos jornalistas momentos antes de apresentar “Comissão das Lágrimas” a um auditório completamente lotado de leitores e notáveis da cidade.
“Vejo a situação do país com revolta”, disse António Lobo Antunes, revelando-se indignado com “o que estão a fazer aos portugueses”.
O autor distinguido com o Prémio Jerusalém de literatura, em 2005, frisou que, tal como os seus livros, também ele não tem “qualquer mensagem”. “Se eu quisesse ter alguma mensagem para dar, era político”, concretizou.
Ainda assim, o escritor considera que “o que se está a passar em Portugal e o que vem aí” é “uma injustiça tremenda feita ao povo”. “Chegámos ao ponto de não haver dinheiro para comer”, acrescentou.
António Lobo Antunes observou ainda que é “impossível” esta situação acontecer “nos países nórdicos”, em que está enraizada uma maior aposta na cultura.
Já sobre a realidade portuguesa, o autor de “Memória de Elefante” constatou que “a cultura nunca foi preocupação de nenhum Governo desde o 25 de Abril”. “Um povo culto é um povo que começa a fazer outra espécie de exigências”, que não interessam aos “poderes instituídos”, afirmou.
O escritor enalteceu, porém, o trabalho “notável” que o poder local tem desenvolvido em prol da cultura. “Quem tem feito alguma coisa pela cultura são as autarquias”, disse António Lobo Antunes, evocando as iniciativas culturais realizadas pelo poder local em vilas e aldeias.
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