Por: Diário Digital Castelo Branco
A Associação Distrital de Agricultores de Castelo Branco (ADACB) defendeu ontem a necessidade de adaptar o regadio da Cova da Beira à realidade fundiária da região e o investimento no regadio ao sul da Gardunha.
"O regadio da Cova da Beira é um bom exemplo de como a disponibilidade de água promove o desenvolvimento agrário, sendo hoje visível uma nova e forte dinâmica dos campos", afirmou o presidente da direção da ADACB, Mesquita Milheiro, à agência Lusa.
Este responsável, que falava no final da reunião entre a ADACB e o secretário de Estado para a Valorização do Interior, João Paulo Catarino, que decorreu em Castelo Branco, mostrou-se satisfeito com a posição do governante que manifestou total abertura às reivindicações dos agricultores.
No entender da associação, é necessário um maior investimento nos diversos regadios tradicionais e coletivos.
Defende ainda a necessidade de alargar o regadio da Cova da Beira à margem direita do rio Zêzere, na zona da Grameneza e Colmeal da Torre, "que tem solos com excelente aptidão agrícola que atualmente não são beneficiados".
Já em relação ao regadio a sul da Gardunha, os agricultores sublinham que a agricultura é a principal atividade económica, bastante representativa em termos de produção frutícola, cerealífera e de pecuária.
"Considerando tal realidade, a ADACB há muito que reclama o regadio nesta região. A Câmara Municipal do Fundão decidiu elaborar o projeto e o ministro da Agricultura, muito recentemente, anunciou publicamente a intenção de candidatar este projeto a financiamento público", disse.
O secretário de Estado para a Valorização do Interior explicou que a ADACB está a colocar a questão nas entidades certas para que se possa aperfeiçoar o que existe na região e, eventualmente, a construção do regadio a sul da Gardunha.
"Eu conheço bem estas realidades. Julgo que o processo da Cova da Beira é um ótimo exemplo de como o interior pode não ter mais pessoas, mas se tiver produtividade e cuidado contribui para a riqueza dos seus proprietários, da região e do país", afirmou.
O governante, que mostrou total disponibilidade para acompanhar estes processos, adiantou que o regadio da Cova da Beira é um exemplo daquilo que o Governo gostaria de replicar em outras regiões do país que, deste ponto de vista, estão mais atrasadas e que precisam de uma "atenção especial" e de investimento público.
Quanto à criação do regadio a Sul da Gardunha, João Paulo Catarino explicou que já recebeu o presidente da Câmara do Fundão e que falaram sobre o projeto que está a desenvolver em conjunto com a Câmara de Castelo Branco.
"Obviamente que, não havendo projeto, temos que ter projeto primeiro e, quando tivermos, então pode eventualmente ser considerado elegível nas várias candidaturas que têm existido no âmbito do Programa Nacional de Regadio. Eu julgo que o Governo tratará essa candidatura como todas as outras. Mas é importante o regadio, até porque os solos nesta região tem aptidão e também numa perspetiva das alterações climáticas, termos terra arável regada", sustentou.
Já em relação às questões relacionadas com a alteração ao regadio da Cova da Beira, foi taxativo: "Obviamente que haverá da parte da Administração Pública a preocupação de voltar a olhar para o processo e, eventualmente estudar a ampliação do regadio, atendendo à reserva suficiente para essa ampliação. Julgo que é um trabalho que se está a fazer".
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