Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
A delegação de Castelo Branco da Associação para os Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) juntou ontem, como faz desde 2009, dezenas de pessoas para um jantar especial, às escuras.
A delegação de Castelo Branco da Associação para os Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) juntou ontem, como faz desde 2009, dezenas de pessoas para um jantar especial, às escuras.
O menu foi servido numa sala às escuras e os convidados sem deficiência visual receberam vendas, para poderem comer com as mesmas condições que os cegos.
Isabel Vicente pertence à associação há cerca de 12 anos e convive quase diariamente com cegos, mas esta foi a primeira vez que faz uma refeição totalmente às escuras. A sopa foi o primeiro prato e conseguir comê-lo foi complicado. "Mas comeu-se", afirmou.
Vítor Lourenço também viveu a experiência pela primeira vez e não se mostrou atrapalhado.
"Nós temos essa sensação nata de acertar logo com a boca, o resto é capaz de ser um pouco mais difícil", contou após a última colher de sopa.
O jantar às escuras é organizado desde 2009 em Castelo Branco "para que as pessoas se consigam aperceber de determinados aspetos e problemas que afetam as pessoas com deficiência", explicou Rui Nunes, presidente da delegação local da ACAPO.
Entre os convidados há sócios com e sem deficiência visual, mas também representantes de autarquias e associações.
A perceção do espaço, dos objetos e dos alimentos são os principais obstáculos que se apresentam a quem come na escuridão.
"O mais complicado é localizar os talheres, a comida e o copo", disse Rui Nunes, que tem um truque para ultrapassar os problemas à mesa: dizer à pessoa onde se encontra cada um dos alimentos no prato, seguindo a posição dos ponteiros do relógio.
"Se for carne e tiver ossos é um bocadinho mais difícil, mas com cuidado a pessoa consegue", garantiu.
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