Por: Diario Digital Castelo Branco
Maria Ribeiro de Rabacinas, concelho de Proença-a-Nova, comemora hoje 105 anos, e torna-se a pessoa mais idosa do Concelho.
Até aos 93 anos, Maria Ribeiro nunca tinha entrado num hospital ou centro de saúde. Acabou por fazê-lo não por doença, mas forçada por uma queda que lhe causou uma fratura na perna. A saúde de ferro manteve-se e só aos 104 anos o médico de família lhe pôs a vista em cima. “Finalmente conheço esta doente”, brincou na ocasião, em Novembro passado, o médico da centenária, residente na aldeia de Rabacinas.
Avessa a medicamentos, tem nos mimos da família o melhor remédio para todos os males. Ficou viúva aos 59 anos e desde essa altura passou a ficar em casa das filhas. Quando partiu a perna, no hospital não havia quem a fizesse comer e uma das filhas, Maria dos Remédios, veio de Lisboa para Castelo Branco acompanhá-la e preparar-lhe as refeições. “Se fosse para um lar, ia-se logo abaixo”, comenta a filha.
Quando o tema é comida, Maria Ribeiro (mais conhecida por Maria Teresa, nome da mãe) não hesita em explicar qual o seu prato preferido: batatas fritas, de preferência acompanhadas de ovo mexido ou bife de peru. Gosto que também não perde é dar a sua volta pelas ruas da aldeia. “Estamos sempre com medo que ela caia, mas parada não pode estar”, conta a filha. Futebol e filmes de ação são as preferências quando liga o televisor, talvez devido ao movimento que lhe capta a atenção.
Com duas filhas vivas (uma terceira já morreu), quatro netos, seis bisnetos e outros tantos trinetos, Maria Ribeiro tem hoje a família à sua volta. A população associa-se à festa, até porque são muitos os moradores com laços familiares ou que a conhecem desde sempre.
“Mesmo quando passam muito tempo sem vir à aldeia, ela conhece e identifica todas as pessoas das Rabacinas”, explica a família.
Modista de profissão, Maria Ribeiro ainda há pouco fazia malha. Continua a mexer nos objetos como quem lhes sente a textura e repete os gestos de anos a fazer cortes e bainhas. Acorda cedo, dando razão ao dito popular de que “deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer”. Só não gosta é de solidão. Quando acorda de madrugada e chama por companhia, ligam-lhe o rádio. As vozes e a música, no meio da quietude da aldeia, devolvem-lhe a certeza de não estar só.
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