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Região 11 de janeiro de 2012

Portagens: Professores em Zigue-Zague entre a Nacional e a Auto-estrada

Por: Cristina Valente

Um mês depois da entrada em vigor das Portagens, acompanhámos um casal de professores numa das viagens que fazem diariamente entre Castelo Branco, Fundão e Guarda.

Um mês depois da entrada em vigor das Portagens, acompanhámos um casal de professores numa das viagens que fazem diariamente entre Castelo Branco, Fundão e Guarda.
Elsa Neves, é professora na Escola João Franco do Fundão, e este ano por causa das portagens tem que sair de casa ainda mais cedo para poder estar na escola a horas “são mais 10 minutos em cada viagem, parece pouco, mas para quem tem que fazer o caminho todos os dias é muito tempo”.
Mais tempo na estrada para poder poupar nas portagens “agora fazemos apenas 5 viagens pela auto-estrada, as que temos direito com a isenção, o resto dos dias andamos em zigue-zague entre a Nacional e a Auto-estrada” conta-nos a docente.
E lá fomos nós em zigue-zague, aproveitando os troços gratuitos da auto-estrada e fazendo o resto pela nacional.
E são muitos os que fazem o mesmo, é bem visível o movimento nos nós de acesso “agora com o tempo assim agradável fazemos isto, mas nos dias de muita chuva e nevoeiro terei que ir mesmo pela auto-estrada por uma questão de segurança” diz Elsa Neves “acho que fomos muito lesados na questão da segurança” acrescenta a docente.
Este ano Elsa consegue partilhar as viagens com alguns colegas “o que nos permite racionalizar os custos, mas ainda assim insuficientes para cobrir todos os dias do mês”.
Menos sorte tem o marido, João Leitão docente no Politécnico da Guarda tem que fazer todas as viagens sozinho e claro todas por sua conta “efectuo sempre as deslocações sozinho apesar de já estar inscrito há um ano no site da Galp para partilha de viagens. Isto porque não tenho nenhum colega com quem possa partilhar as viagens. As viagens na A23 duram apenas a primeira semana, pois esgoto o plafond da discriminação positiva”.
E a estratégia é a mesma zigue-zague entre a nacional e a auto-estrada, um trajecto que agora demora mais 30 minutos a fazer “se já era muito tempo na estrada, agora ainda é mais, para já não falar do desgaste físico que isto representa” diz o docente.
Sem ninguém com quem partilhar as despesas das deslocações João ainda colocou a hipótese de utilizar os transportes públicos, mas para além de horários que não se ajustam às suas necessidades, o preço da viagem é também muito alto “o preço da viagem de ida e volta para o trajecto Castelo Branco - Guarda o custo é de 18,60 euros por pessoa, o que torna mais caro do que a utilização de viatura própria pela estrada nacional. Só nas grandes cidades Lisboa e Porto se pode ter passe social aqui as pessoas não se deslocam e a cidadania é de segunda” afirma João.
O docente do Politécnico da Guarda pode ter que se deslocar a Seia, localidade onde o Politécnico tem um pólo, para dar aulas, esse é também um factor de preocupação “a acontecer vai aumentar em muito os custos da viagem uma vez que na A25 não sou abrangido por nenhum tipo de isenção”explica o docente.
Contas feitas, este casal gastaria em portagens cerca de 375 euros por mês, já depois de retiradas as 10 viagens de isenção, a esta despesa tem que se juntar a despesa do gasóleo, cerca de 110 euros por semana, para já não falar do desgaste do carro, do desgaste físico dos docentes e do tempo perdido nas estradas “às vezes ouvimos dizer que somos professores e ganhámos bem, mas a verdade é que gastamos muito dinheiro para ir trabalhar” desabafa Elsa Neves.

Descida de tráfego na A23 já vem de 2008
A diminuição do tráfego na ex-scut, depois da entrada em vigor das portagens, é uma realidade.
Segundo os dados disponibilizados pela SCUTVIAS ao DDCB, em Dezembro de 2011, já com portagens, passaram em média por dia na Auto-estrada 7.115 veículos, sendo 6.257 ligeiros e 858 pesados.
Em igual período do ano passado passaram pela Auto-estrada 10.127 veículos; 8.864 ligeiros e 1.263 pesados.
No entanto, segundo os mesmos dados, já em novembro, ainda sem portagens, o número de veículos tinha diminuído em relação ao ano anterior. Em Novembro de 2010 passaram em média por dia 9.702 viaturas, 8.207 veículos ligeiros e 1.495 pesados.
Em 2011, no mesmo mês, utilizaram a via em média por dia 8.370 veículos, sendo 7.040 ligeiros e 1.330 pesados.
Segundo a SCUTVIAS “o tráfego subiu de forma continuada, desde 2004, data da conclusão da via, até final de Junho de 2008, altura em que se verificou a inflexão para valores negativos” nos anos seguintes verificou-se uma ligeira subida, mas sempre abaixo da descida verificada em 2008.
Durante o mês de Dezembro de 2011, e já com as portagens o dia que registou mais tráfego foi o dia 24, vésperas de Natal, com a deslocação de muitas pessoas do litoral para o interior, para passar a quadra em família.
Nesse dia passou em média pela A 23 mais 7,17% tráfego do que no mesmo dia do ano anterior.
Por outro lado o dia do mês com menos tráfego foi o dia 25 de Dezembro, dia de Natal, com uma diminuição em média superior a 53% em relação ao dia de Natal de 2010.
 

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